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VERMIFUGAÇÃO EM BOVINOS

by Gushiken on 5 de setembro de 2011

BATE PAPO COM:

 Dr. Gustavo Máximo Martins, médico veterinário do Laboratório Vet&Cia. 

“o animal bem vermifugado, na época, com dosagem e com o produto correto, é lucro certo ao produtor.”

– A verminose nos dias de hoje, ainda é um problema que traz prejuízos?

Gustavo: A verminose traz muitos prejuízos econômicos a vários produtores rurais de todo o Brasil. Muitos relatam as perdas apenas quando os animais vêm a óbito, porém estão tendo os prejuízos desde o momento em que não fazem uma vermifugação correta e eficaz. Um animal com verminose produz menos leite, menos carne, tem atraso na idade de abate, atraso na entrada da idade reprodutiva, além da própria infestação verminótica, interferir no sistema de defesa do animal e abrir as portas para que outras doenças acabem se instalando. Os animais mais prejudicados são os mais novos da desmama até os seus dois a três anos, por estarem desenvolvendo o seu sistema imunológico. Já os animais adultos, muitas vezes não demonstram nenhum sinal de que estão com verminose, e por isso produzem menos do que seu potencial permite. Estes animais quando não tratados contra a verminose, infestam a pastagem e vem prejudicar ainda mais os animais mais novos.

– Dentre a classe dos vermes pulmonares e gastrointestinais, qual o que causa maiores danos ao bolso do produtor?

Gustavo: Os vermes podem se instalar e passar parte do seu ciclo de vida em vários órgãos dos animais.  Os vermes gastro intestinais são os de maior número, por isso, muitas vezes a maior parte das perdas são atribuídas a eles. Agora, tanto vermes gastro intestinais quanto pulmonares acometem animais em todo o país, principalmente da desmama até os dois a três anos de idade, e até mesmo, animais adultos que não passam por uma vermifugação correta. Os prejuízos com estes animais vão desde o custo elevado com medicamentos para restabelecê-los até mesmo a morte.

– Quais os sintomas de uma infestação nos animais?

Gustavo: Os sinais e sintomas são vários, porém não são específicos, já que por exemplo vírus e bactérias, podem causar doenças que tenham sintomas semelhantes.
Diarréia, desidratação, apatia, edema de barbela, anemia, falta de apetite, pêlos arrepiados e sem brilho, emagrecimento e tosse são alguns que podem ocorrer.
Dependendo de quais vermes estão presentes, da quantidade, da idade do animal e de como está o seu sistema de defesa, esses sinais e sintomas podem aparecer com maior ou menor intensidade, podendo muitas vezes evoluir até a morte do animal.

– Uma vez que os sintomas não são específicos, o que produtor pode fazer para ter a certeza de que estes há uma infestação por vermes? Existe algum exame clínico ou laboratorial?

Gustavo: Para se confirmar a presença de vermes nos animais e saber se está na época correta da vermifugação dos mesmos o ideal é que se faça um teste de OPG (ovos por grama de fezes), no qual coleta-se uma pequena quantidade de fezes direto do reto do animal. O ideal é que se faça o teste em 10 a 20% do rebanho, ou dos animais de determinada faixa etária ou dos animais do piquete. O OPG é um teste quantitativo, que vai nos passar a quantidade de ovos em um grama de fezes. Dependendo da quantidade, nos indica se está ou não na hora de vermifugar os animais. Podendo repetir o teste aproximadamente 10 dias após, outras informações o OPG pode nos passar, como se o vermífugo que administramos foi eficiente ou não. Para sabermos qual o tipo de verme está presente, pode-se realizar uma coprocultura, que vai apontar quais os vermes responsáveis que estão presentes. Vale lembrar que além dos exames de fezes, uma visita do médico veterinário a propriedade é sempre recomendada.

– A Embrapa recomenda que seja feito um controle estratégico da verminose. Do que se trata?

Gustavo: A Embrapa recomenda o tratamento estratégico da verminose, que consiste de aplicações de vermífugos na entrada, meio e saída da seca. Esta época, por ser desfavorável ao crescimento dos vermes que se encontram no ambiente, aumenta a porcentagem de vermes presentes nos animais, assim, é a hora correta de fazer a administração dos vermífugos. Este esquema é indicado para a maioria dos estados brasileiros, mais uma vez vale aí a indicação do veterinário que acompanha a propriedade. Caso haja necessidade em outras épocas do ano, a vermifugação também é recomendada.

– No mês de Maio acontece, em boa parte do país, a primeira etapa da Campanha de Vacinação contra a febre aftosa. Neste momento já se usa também vermifugar os animais?

Gustavo: Maio por ser mês de vacinação contra febre aftosa e época em que se traz os animais para o curral, é hora também de se fazer uma vermifugação.  De acordo com o tratamento estratégico, esta vermifugação é a que se indica no inicio das secas.

– Quais são os cuidados que o produtor deve tomar para escolher um bom antiparasitário? Pensando na Campanha de Maio, já é o momento de procurar por vermífugos?

Gustavo: Para escolha de um bom vermífugo, primeiro indica-se ao produtor que adquira um bom vermífugo, de um laboratório idôneo, com qualidade. Além do problema verminose, caso os animais tenham também parasitas externos, vale a pena o uso de endectocidas, que combatem e controlam tanto ecto quanto endoparasitas. Pensando no principio ativo a ser utilizado, convém saber qual ou quais foram já utilizados e saber os resultados de eficácia dos mesmos. Uma indicação do médico veterinário sempre é recomendada.

– E quanto aos animais em lactação. Há algum princípio ativo que não pode ser utilizado?

Gustavo: Quando se fala em animais em lactação ou prenhes, atenção maior deve ser dada. Quanto as vacas prenhes, deve-se tomar bastante cuidado no manejo para que não haja nenhum problema destes animais virem a abortar as crias. Trazer as vacas com calma para o curral e manejá-las na hora mais fresca do dia, evitar gritos, não usar cachorros e nem pedaços de pau para tocá-las, passar com cuidado no tronco e uma boa contenção, são algumas das recomendações. Quanto ao produto a ser utilizado, vale a pena ler a bula ou se informar com o veterinário para ver se não há nenhuma contra indicação. Quando falamos em vacas em lactação, principalmente, nas vacas que produzem leite para consumo humano, deve-se prestar bastante atenção no produto que será utilizado, já que os períodos de carência devem ser respeitados e têm produtos que dependendo do princípio ativo e concentração, possuem um período de carência muito grande, o que inviabiliza o seu uso nestes animais.

– Rotacionar os princípios ativos é uma medida necessário?

Gustavo: Muito se fala do rodízio de princípios ativos, mas de nada adianta, se uma boa vermifugação não for feita. Separar os animais em lotes homogêneos de peso para facilitar o quanto de vermífugo será administrado, um bom material de aplicação, por exemplo com pistolas calibradas e agulhas novas e  contenção dos animais são algumas das recomendações. Se o produtor sempre fizer o rodízio de princípios ativos, mas não seguir as recomendações acima passadas, as chances de os parasitas desenvolverem resistência a todos os ativos utilizados é grande. Assim, em pouco tempo, pode ser que o todo o arsenal que o produtor disponha não funcione mais, aumentando a insatisfação com os produtos e principalmente os prejuízos pelos ectoparasitas. Mais uma vez o acompanhamento do médico veterinário é indispensável para uma correta prescrição do ativo ou ativos a serem utilizados.

– Para encerrar nossa conversa, animal vermifugado é sinônimo de mais lucro ao produtor?

Gustavo: Com certeza, o animal bem vermifugado, na época, com dosagem e com o produto correto, é lucro certo ao produtor. Vários estudos apontam os benefícios de uma boa vermifugação, com animais produzindo mais e com mais qualidade.

Fonte: www.matsuda.com.br

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