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TECA: Qualidade e aspecto rústico agradam o mercado

by Gushiken on 26 de setembro de 2011

A Tectona grandis, popularmente conhecida como teca, é uma árvore de grande porte, nativa das florestas tropicais situadas entre 10º e 25º N no subcontinente índico e no sudeste asiático, principalmente na Índia, Burma, Tailândia, Laos, Camboja, Vietnã, e Java. Devido a sua dispersão geográfica e à variedade de ambientes onde ocorre naturalmente, a teca é uma espécie de alta adaptabilidade com dispersão vertical entre 0 e 1300m acima do nível do mar, ocorrendo em áreas com precipitação anual de 800 a 2500 mm, e temperaturas extremas de 2º a 42º C, porém não resiste à geada.

A teca é cultivada desde o século XVIII, quando os britânicos demandavam grandes quantidades de madeira para construção naval. No sul da Ásia, a cultura da teca é tradicional, sendo a espécie cultivada em grande escala. Atualmente, a área mundial plantada excede os 3 milhões de hectares, incluindo, além dos asiáticos – maiores produtores -, outros países tropicais, como: Togo, Camarões, Zaire, Nigéria, Trinidad, Honduras e Brasil, entre outros.

Apesar de poder ser cultivada apenas em regiões tropicais, a madeira de teca é muito procurada (principalmente) no continente europeu, onde o preço por metro cúbico supera o do próprio mogno. Mundialmente, a teca é apreciada pela qualidade de sua madeira, bem como pela sua rusticidade.

A Tectona grandis L.f. pertence à família botânica Verbenaceae. As folhas, que podem ter disposição oposta a verticilar em grupos de três, são coriáceas e medem de 30 a 60 cm de comprimento por 20 a 35 cm de largura. Os limbos são largos e elípticos, glabros na face superior e tomentosos na face inferior. As folhas amplas tornam a árvore sombreante desde a fase juvenil.

As flores são pequenas, de coloração branco-amarelada e se dispõem em panículas de até 40 x 35 cm.

Os frutos são do tipo drupa, cilíndricos, de cor marrom e possuem diâmetro de aproximadamente 1 cm. Cada fruto apresenta quatro cavidades, dentro das quais estão as sementes (uma por cavidade); porém, nem todas germinam. A primeira frutificação ocorre aos 5 ou 6 anos de idade.

Quando adulta, a árvore atinge entre 25 a 35 m (raramente acima de 45 m) de altura e diâmetro (DAP) de 100 cm ou mais. Seu tronco é reto e revestido por uma casca espessa, resistente ao fogo. Perde as folhas durante a estação seca, pois se trata de uma essência caducifólia.

A madeira

O alburno é estreito e claro, bem distinto do cerne, cuja cor é marrom viva e brilhante. Essa beleza peculiar faz da teca uma madeira muito procurada para decoração de interiores luxuosos e mobiliário fino.

Além do efeito decorativo, a madeira de teca é utilizada para as mais diversas finalidades: construção naval, laminação e compensados, lenha e carvão vegetal; as duas últimas são específicas para as áreas de ocorrência natural.

A densidade média da teca é 0,65g/cm³ e, apesar de ser leve, apresenta boa resistência e peso, tração e flexão, semelhante ao mogno brasileiro.

A madeira é estável; praticamente não empena e se contrai muito pouco durante a secagem. A estabilidade permite que a teca (madeira) resista à variação de umidade no ambiente.

A durabilidade é uma característica marcante dessa espécie. Até o momento são poucos os registros, nos países onde a teca é cultivada, de ataques de pragas que possam comprometer os plantios. A durabilidade do cerne deve-se a tectoquinona, um preservativo natural contido nas células da madeira.

O alburno é um material permeável, propriedade que facilita a aplicação de preservativos. Porém, esse tratamento somente é necessário quando a madeira ficar exposta ao tempo; ademais, o alburno possui todas as características do cerne.

Tanto alburno quanto cerne contêm uma substância semelhante a um látex, denominado caucho, que reduz a absorção de água e lubrifica as superfícies. Essa substância também confere resistência a ácidos e protege pregos e parafusos da corrosão.

Nos países onde a teca é explorada – de floresta nativa ou reflorestamento – , toda a madeira é aproveitada, incluindo as toras de pequeno diâmetro obtidas nos desbastes. Painéis de sarrafos são utilizados para a fabricação de móveis, portas, decoração interna e também na produção dos mais diversos utensílios. A madeira de pequeno diâmetro é largamente usada na edificação de construções rústicas, como vigamento, esteio ou madeiramento do telhado.

Experiência do Mato Grosso

Apesar de haver plantios experimentais com teca em instituições de ensino e pesquisa (há um talhão na ESALQ plantado em 1959), um dos reflorestamentos de teca mais antigos e expressivos foi implantado em Cáceres, no Mato Grosso.

Em 1968, a Cáceres Florestal testou espécies madeireiras que pudessem impulsionar o reflorestamento daquela região. Dentre estas, a teca se mostrou com boa aptidão e de rápido crescimento em altura. Outro fator importante para impulsionar o plantio de teca foi o preço dessa madeira no mercado internacional, muito superior ao do mogno. No Brasil, a teca tem sido manejada em ciclos de corte de 25 anos, enquanto nos demais países de cultivo, esse ciclo varia de 60 a 80 anos.

O IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas) testou a qualidade da madeira proveniente de Cáceres e garante que as propriedades físicas e mecânicas são semelhantes às madeiras de teca oriundas do sudeste asiático.

Em 1986, a área plantada com teca era de cerca de 10 mil hectares; sendo que atualmente, só o Estado do Mato Grosso já possui mais de 50 mil ha de plantios.

A teca também vem ganhando espaço no Amazonas, principalmente devido a estudos como o realizado na Estação Experimental da EMBRAPA do Distrito Agropecuário da SUFRAMA, Manaus-AM. De acordo com pesquisadores da EMBRAPA, sistemas agroflorestais com teca, entre outras espécies, pode ser uma alternativa de recuperação de áreas de pastagens abandonadas e degradadas, bem como uma maneira de conter a pressão de desmatamento sobre florestas primárias e promover o desenvolvimento social, econômico e ecológico sustentáveis nessa região.

Para plantar teca, o clima mais propício é o tropical úmido, caracterizado por verão chuvoso e inverno seco. Deve-se atentar para os seguintes fatores:
1) Precipitação anual entre 1200 e 2500 mm.
2) Período seco de 3 a 5 meses, coincidente com o período de temperaturas mais amenas. A qualidade da madeira depende desse período seco.
3) A temperatura média anual deve estar acima de 22ºC. O melhor crescimento das mudas de teca ocorre quando as temperaturas diurnas variam entre 27º e 36ºC e noturnas entre 22º e 31ºC.

A teca é exigente em fertilidade de solo, que deve ser profundo (mais de 1,5 m), permeável, bem drenado, mas com capacidade média a alta de retenção de água. Os solos de textura média são os mais indicados. Um estudo de avaliação do estado nutricional, crescimento de teca e suas relações com os fatores de solo (1), mostrou que o melhor desenvolvimento está relacionado à riqueza dos nutrientes, matéria orgânica e pH próximo da neutralidade.

A teca é uma essência exigente em teores de bases trocáveis do solo, principalmente cálcio.

Terrenos de maior declividade devem ser evitados, por problemas de erosão. Caso esse tipo de terreno seja utilizado, recomenda-se a construção de obras de conservação de solo (curvas de nível e terraços) e o uso das técnicas de cultivo mínimo.

Produção de mudas

Para reflorestar um hectare de teca, no espaçamento 3 x 2 m, são necessários, aproximadamente, quatro quilos de frutos (incluindo provisões para mudas de replantio). Os frutos podem ser colhidos de julho a outubro e armazenados em local fresco, seco e abrigado da luz.

Comercialmente, o que é chamado de semente, na realidade, trata-se do fruto. As sementes verdadeiras são muito pequenas e delicadas e o fruto é duro demais para ser rompido e liberar as sementes sem danos. Portanto, planta-se o fruto e não as sementes.

Para uniformizar a germinação, os frutos de teca devem ser colocados imersos em água corrente por 24 a 48 horas. O melhor substrato é a areia com terra orgânica (na sementeira) e a temperatura ótima é alcançada cobrindo-se a sementeira com lona plástica preta por 96 horas. As plântulas germinadas são então repicadas para saquinhos plásticos ou tubetes, estando prontas para plantio entre 3 a 4 meses.

Uma alternativa de produção de mudas é através de raiz nua, camada muda-toco. Essa técnica consiste em podar a planta de forma a reter 10 cm da raiz pivotante e 2 cm do caule. A muda “toco” pode ser plantada para recipientes individuais ou ser plantada diretamente no campo. Como desvantagem, tem-se o tempo maior, de quatro a onze meses, para produção das mudas.

Quando a opção for a de produzir mudas por sementes, deve-se levar em conta a qualidade do lote de sementes. Sementes melhoras, de áreas de produção, baseiam-se em matrizes com adequado formato do tronco (retilíneo, sem bifurcações etc) e crescimento. Além do aspecto silvicultural, é importante conhecer as características físicas (densidade, resistência mecânica da madeira) das procedências utilizadas.

Produtividade

Os dados que seguem são referentes a plantios realizados em condições adequadas de cultivo, bem como solo, clima, qualidade de semente e outros.

A produtividade média, no ciclo recomendado para produção de madeira comercial, situa-se entre 10 a 15 m³/ha/ano, totalizando de 250 a 350 m³/ha ao longo de 25 anos e num regime com quatro desbastes.

De 50 a 60% da produção total é colhido no corte final; esse volume corresponde a valores entre 150 e 230 m³/ha.

A madeira do primeiro desbaste é considerada não-comercial, porém, tem aplicações no meio rural, podendo gerar receita significativa.

Os custos de implantação e manutenção são amortizados nos segundo e terceiro desbastes.

O quarto desbaste e o corte final concentram o resultado econômico do reflorestamento com teca.

Atualmente, o preço FOB do metro cúbico de madeira de teca comercial varia de US$ 400 a US$ 3000, dependendo da qualidade de madeira (com ou sem nós) e bitola das toras.

A produção mundial é de aproximadamente 3 milhões de m³ por ano, sendo que a maior parcela é consumida pelo mercado interno dos países produtores. O mercado internacional consome cerca de 500 mil metros cúbicos, mas a oferta ainda é muito menor que a demanda.

De acordo com análises de mercado, haverá aumento de demanda devido à melhoria no padrão de vida nos países em desenvolvimento. O decréscimo da oferta de outras madeiras tropicais que ocorrem em áreas naturais (como o mogno) e a conscientização ambiental dos consumidores, principalmente europeus, também são fatores decisivos para o aumento da demanda.

O mercado brasileiro também é visto como um grande potencial de consumo, assim como de produção. Afinal, o Brasil possui áreas adequadas para plantio de teca e uma floresta tropical para preservar.

Os maiores produtores: Indonésia, Mianmar e Sri Lanka. E os maiores importadores são Alemanha, Arábia Saudita, Austrália, Dinamarca, Emirados Árabes, EUA, Japão, Holanda, Itália e Reino Unido.

Hong Kong e Cingapura são centros de manufatura e reexportação da teca de Mianmar. A Índia e a Tailândia além de produzir, passaram a importar.

 

Fonte: www.fazendasfloresta.com.br/

Depto de Ciências Florestais
ESALQ/USP

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