PLANEJAMENTO E ESTRATÉGIAS NA NUTRIÇÃO DE BOVINOS A PASTO.

by Gushiken on 6 de julho de 2011

CENÁRIO DO SETOR AGROPECUÁRIO BRASILEIRO

A economia brasileira tem passado por rápidas transformações nos últimos anos. Neste contexto ganham espaço novas concepções, ações e atitudes, em que produtividade, custo e eficiência se impõem como regras básicas de sobrevivência em um mercado cada vez mais competitivo e globalizado (IEL et al., 2000). A conscientização dos pesquisadores, técnicos e produtores rurais envolvidos nesse sistema, bem como, o ajuste para este novo cenário é primordial para a competitividade da atividade.

O agronegócio tem tido papel da maior importância nas contas externas do País. Em 2004, suas exportações alcançaram cifras acima de US$ 33 bilhões, permitindo um superávit de US$ 29 bilhões ou 25% a mais que o saldo apurado no ano anterior. O Brasil manteve a liderança mundial na quantidade de carne bovina exportada, com 1,9 milhão de toneladas. A receita cambial foi de US$ 2,5 bilhões. O expressivo crescimento do agronegócio elevou sua participação no PIB brasileiro, ou seja, na soma de todas as riquezas produzidas no País, para 33,8% em 2003. Em outras palavras, um em cada três reais gerados pela economia brasileira tem origem no agronegócio (Brasil, 2004). Como mostrado no gráfico 1, os maiores crescimentos na pecuária ocorreram nos setores de insumos e no primário, isto é, nas propriedades rurais, sendo assim, a necessidade do planejamento na propriedade rural passa a ser uma ferramenta fundamental para o sucesso da atividade.

Gráfico 1 – Taxa de crescimento por setor do Agronegócio.

Fonte: CNA/ CEPEA-USP, 2005.

Com este crescimento do setor agropecuário, devido ao maior uso de tecnologia nas fazendas, houve um aumento na produtividade e conseqüentemente maior taxa de abate nos últimos anos, como demonstra a tabela 1. No entanto, o consumo interno per capita continuou estabilizado, devido principalmente, ao menor poder de compra da população e também pelo menor preço de outros tipos de carne (suínos e aves). Com isto, gerou uma necessidade na abertura de novos mercados, principalmente o internacional, o que elevou a exportação brasileira em equivalente carcaça (1.300 mil ton em 2003 para 2.100 ton em 2005) tornando-o maior exportador mundial. O aumento na produtividade é um caminho necessário para se manter no sistema de produção com boas taxas de rentabilidade. Entretanto, este aumento deve ser acompanhado de um maior consumo em ambos mercados (mercado interno e externo), caso contrário, gera um excesso de produção e queda nos preços dos produtos (arroba de boi e vaca, preço do bezerro, entre outros).

Tabela 1 – Balanço da pecuária bovina de corte.

2003

2004

2005

Habitantes (milhões)

177,4

180,0

182,6

Rebanho bovino (milhões)

189,1

192,5

195,5

Taxa de abate – %

19,91

21,51

22,03

Abate (milhões)

37,6

41,4

43,1

Produção Carne – mil ton. eq. carc.

7.700

8.350

8.750

Consumo interno – mil ton. eq. carc

6.462,9

6.548,9

6.700,0

Consumo per capita (kg eq. carc.)

36,4

36,4

36,7

Exportação – mil ton. eq. carc.

1.300,8

1.854,4

2.100,0

Importação – mil ton. eq. carc.

63,7

53,3

50,0

Exportação – US$ milhões

1.509,7

2.457,3

2.782,7

Importação – US$ milhões

60,2

72,2

67,7

Fonte: CNPC, 2005.

PLANEJAMENTO

Planejar é a palavra apropriada para se projetar um conjunto de ações para atingir um resultado claramente definido, quando se tem plena certeza da situação em que as ações acontecerão e controle quase absoluto dos fatores que asseguram o sucesso no alcance dos resultados (Alday, 2000).

Segundo Souza et al. (1988) o planejamento estratégico é um instrumento elaborado para que o empresário possa visualizar sua atuação futura, sendo assim, normalmente, é projetado para longo prazo, com uma abordagem global, definindo o que produzir e o quanto produzir nos anos seguintes.

Algumas etapas são importantes para estabelecer o planejamento estratégico:

a) Determinação dos objetivos – É o ponto principal do planejamento, com definições genéricas, como os propósitos da empresa relacionados ao ramo de atuação, pretensão futura, busca pelo lucro, segurança, prestígio, social entre outros.

b) Análise do ambiente externo – É necessária a busca de informações mais precisas possíveis com relação às ameaças, oportunidades e restrições no cenário nacional e mundial que possam aumentar ou diminuir a rentabilidade da atividade. Fatores como preço das commodities, juros, balança comercial, análise de mercado (oferta e demanda), estudo de tendências futuras, barreiras alfandegárias, taxas de exportações e importações, entre outras.

c) Análise interna da empresa – É uma análise dos recursos existentes na empresa como os físicos, financeiros, administrativos, mercadológicos, humanos. Sendo necessário levantar suas disponibilidades, necessidades, fornecedores, etc.

d) Geração e avaliação das metas e estratégias – Segundo Veloso (1997), citados por Barioni et al. (2003), para a determinação das metas alguns fatores deverão ser avaliados como:

  1. recursos disponíveis na fazenda – solos, vegetação, relevo, animais, recursos hídricos, recursos financeiros disponíveis, mão-de-obra qualificada, estradas, energia elétrica, benfeitorias, etc;

  2. imposições ambientais, legais e de mercado;

  3. objetivos do empreendedor.

Após estabelecer os objetivos, analisando a empresa e o ambiente externo, utilizando as informações de pesquisas e de experimentação, alem da experiência das pessoas envolvidas nos processos decisórios deverão ser definidas as estratégias para alcançar as metas propostas no projeto.

Definido o projeto, as metas e as estratégias a serem seguidas, a próxima etapa e a implantação das estratégias que deverão ser executadas pelos gerentes, técnicos e funcionários da propriedade. Um ponto fundamental neste ponto é a coleta de dados de produção (técnicos e econômicos), para o monitoramento e avaliação das metas planejadas com as realizadas. Pelo monitoramento consegue-se avaliar quais os pontos críticos do sistema e a eficiência das estratégias utilizadas. Este e o ponto de ajuste onde deverão ser corrigidos os desvios ocorridos, e as estratégias poderão, ainda, ser substituídas. Ou corrigir os erros cabíveis e continuar com a mesma estratégia.

  • O planejamento nutricional

O primeiro passo para iniciar o planejamento nutricional de um novo projeto é levantar os recursos físicos da propriedade (benfeitorias, tipos de solos, espécies forrageiras, recursos hídricos, tamanho da área, topografia) e as características climáticas da região. É fundamental a planta planialtimétrica (mapa) para levantamentos do inventário, de índices de produção de matéria seca das forrageiras por área, para recomendações de correções e adubações de solos, planejamento de novas espécies forrageiras, divisão de áreas, entre outros (Barbosa, 2004b).

Após conhecer a propriedade e as particularidades da região deve-se determinar o sistema de produção de acordo com os objetivos do proprietário, análises de mercado, recursos financeiros disponíveis, condições ambientais, físicas e externas à propriedade (Barbosa, 2004b).
O planejamento forrageiro deverá proporcionar quantidade anual adequada de forragem  à demanda dos animais no sistema, seja por pastagens extensivas ou, em sistemas mais intensificados, por meio de rotação, adubação e irrigação de pastagens, ou ainda, suplementação volumosa no cocho (Barbosa, 2004b).

A falta de informações sobre a distribuição do crescimento das forragens ao longo do ano é, atualmente, a principal limitação para o planejamento de sistemas pastoris. Estas informações podem ser conseguidas por meio de: (1) dados de literatura avaliando o crescimento da forragem ao longo do ano, (2) modelos matemáticos de crescimento de pastagens, (3) dados locais de monitoramento da massa de forragem, (3) dados locais das taxas de lotação e desempenho animal (Barioni et al., 2003).

Estes dados auxiliam o inicio do planejamento, entretanto, devido as inúmeras fontes de variações entre locais e entre anos para outro, o monitoramento é primordial após a implantação do projeto. Metodologias para estimar a produção de forragem por métodos diretos, usando um quadrado metálico de 1m2, ou indiretos, como estimativa visual, medidor de prato ascendente e medições de altura e densidade da pastagem devem ser utilizadas para maior precisão da informação. Outra alternativa é utilizar o monitoramento da taxa de lotação usada para estimar a demanda de forragem anual (Barioni et al., 2003).

Outro fato importante no planejamento nutricional que está intimamente ligado à demanda e ao planejamento forrageiro é a exigência nutricional do animal ao longo do ano. Esta exigência nutricional varia em função da idade, sexo, raça, estádio fisiológico e ganho de peso projetado (Tabela 2). Analisando a exigência nutricional e a quantidade e qualidade da forragem ao longo do ano defini-se qual a demanda de forragem e a necessidade de suplementação protéica, energética, mineral e vitamínica para atender aos objetivos de ganho de peso e/ou reprodução (Barbosa, 2004b).

Tabela 2. Exigências nutricionais de bovinos de corte.

Vacas2

Crescimento/

Engorda1

Gestação

Lactação

Matéria Seca

Ingerida (MSI) (% PV)

2,5 – 2,9

2,1

2,1 – 2,4

Proteína Bruta (PB) (%)

7,4 – 12,6

6,5 – 8,9

7,2 – 9,8

Prot. Deg. Rúmen (%PB)

88 – 72,4

80

80

N.D.T. (%)

50 – 70

50 – 60

50- 60

Cálcio (%)

0,2 – 0,52

0,16 – 0,27

0,28 – 0,58

Fósforo (%)

0,12 – 0,25

0,17 – 0,22

0,22 – 0,39

Magnésio (%)

0,10

0,12

0,20

Potássio (%)

0,60

0,60

0,60

Sódio (%)

0,06 – 0,08

0,06 – 0,08

0,10

Enxofre (%)

0,15

0,15

0,15

Cobalto (ppm)

0,10

0,10

0,10

Cobre (ppm)

10

10

10

Iodo (ppm)

0,50

0,50

0,50

Ferro (ppm)

50

50

50

Manganês (ppm)

20

40

40

Selênio (ppm)

0,1

0,1

0,1

Zinco (ppm)

30

30

30

Vitamina A (UI/kg)

2.200

2.800

3.900

Vitamina D (UI/kg)

275

275

275

Vitamina E (UI/kg)

15 – 60

15 – 60

15 – 60

1 – Nelore: 460 kg de peso vivo ao abate e ganho médio diário de  0,35 a 1,3 kg
2 – Nelore: 450 kg de peso vivo

Fonte: National Research Council (1996) – Comitê Americano de Nutrição Animal;
Devido ao crescimento das pastagens e sua qualidade na estação seca do ano ser bem menor, torna-se necessário assumir estratégias caso não ocorra  nenhuma venda de animais no final da estação das águas. Caso contrário, a propriedade não terá pastagem o suficiente para a demanda.

Estas estratégias podem ser:

  1. utilizar pastagem diferida, isto é, vedar parte dos pastos na época das águas para sua utilização na seca;

  2. suplementação volumosa com silagens ou cana-de-açúcar;

  3. suplementação com rações concentradas (acima de 0,4% do peso vivo por dia).

No planejamento nutricional de sistemas mais intensivos com taxas de lotações acima de 2,0 UA por hectare deve-se considerar a necessidade de utilização de Tecnologias como rotação e adubação de pastagens, suplementação volumosa, suplementação concentrada e em algumas situações irrigação de pastagens e/ou culturas.

A escolha de quais estratégias utilizar no planejamento nutricional é dependente do planejamento financeiro, isto é, deve-se analisar qual a necessidade de investimento, fluxo de caixa, a rentabilidade e o retorno do capital investido de cada estratégia dentro do sistema de produção.

Para estas simulações de planejamento as planilhas eletrônicas e softwares são importantes ferramentas para utilizar devido à maior agilidade na geração das informações para que o proprietário tome a decisão de qual o projeto assumir (Barbosa, 2004b).

SUPLEMENTAÇÃO A PASTO

A pastagem é a base da produção de bovinos no país e o alimento de custo mais baixo quando comparado com as suplementações. A área de pastagem, com espécies cultivadas no Brasil, está em torno de 115 milhões de hectares, enquanto a área com pastagem nativa é de 144 milhões destacando-se nesta categoria a predominância das Brachiarias (Zimmer & Euclides Filho, 1997; Zimmer & Euclides, 2000). Estas áreas abrigam cerca 195,5 milhões de cabeças de bovinos e produção de cerca de 8,75 milhões de toneladas de equivalente carcaça (CNPC, 2005).

A capacidade de suporte das pastagens é bastante variável em função do solo, clima, estação do ano e espécie ou cultivar forrageira. O desempenho animal necessário ou desejado e o sistema de produção adotado têm também efeito marcante sobre a capacidade de suporte.

Os resultados obtidos em pastagens de Panicum maximum cvs. Colonião comum, Tobiatã e Tanzânia, de Brachiaria decumbens e B. brizantha apresentam valores de ganho de peso anual diferentes (Figura 2). Estes resultados demonstram que a produção animal não está correlacionada com o total de forragem disponível nas pastagens com grande acúmulo de matéria seca morta. No entanto, ela está assintoticamente correlacionada com a disponibilidade de materia verde seca (MVS) (Euclides, 2000). Nos pontos máximos, os ganhos diários foram de 500 g e 580 g e as disponibilidades de MVS de 1.000 kg/ha e 900 kg/ha, respectivamente, para Brachiaria e Panicum. Acima destes valores de disponibilidade de MVS o ganho diário não foi alterado.

Figura 2 – Relações entre os ganhos de peso diários por animal (y) e as disponibilidades de matéria verde seca (x) em pastagens dos gêneros Panicum e Brachiaria;

Fonte: Euclides & Euclides Filho (1998).

O principal problema na produtividade das pastagens é a ausência ou o uso inadequado de adubação de manutenção, resultando em queda acentuada da capacidade de suporte e no ganho de peso animal nos três ou quatro anos após sua formação (Zimmer e Euclides Filho, 1997)
Devido à sazonalidade das gramíneas forrageiras nos trópicos, que é caracterizada pela diminuição da produção e do valor nutritivo nos períodos secos do ano, ocorre a desnutrição nos animais criados a pasto e conseqüentemente baixo ganho de peso, nesta época. O desenvolvimento dos bovinos pode também ser comprometido com a ocorrência de veranicos prolongados. Estas fases negativas no desempenho do animal devem ser consideradas em um programa de produção de carne. O ideal seria o crescimento ocorrer uniformemente durante a vida do bovino. Devido ao desequilíbrio entre os ganhos na época das águas e da seca, é necessária a suplementação alimentar em certos períodos, para que se possa abater animais com idades inferiores a 30 meses (Carvalho et al, 2003).

Sob condições tropicais, o consumo de pasto é freqüentemente afetado adversamente por baixas concentrações de Na (Sódio), N (Nitrogênio), P (Fósforo), S (Enxofre), Co (Cobalto), I (Iodo) e outros nutrientes, dependendo da área sob pastejo. A suplementação dos nutrientes deficientes, até o ponto de atender plenamente as exigências, freqüentemente resulta em dramática resposta no consumo de alimentos e produção animal.

A suplementação a pasto com nutrientes específicos é necessária para obtenção de níveis satisfatórios de desempenho animal. Uma estratégia de suplementação adequada é aquela destinada a maximizar o consumo e a digestibilidade da forragem disponível.  Este objetivo pode ser atingido através do fornecimento de todos ou de alguns nutrientes específicos, os quais permitirão ao animal consumir maior quantidade de matéria seca disponível, e digerir ou metabolizar a forragem ingerida de maneira mais eficiente.

1. Suplementação e consumo de pastagem

No Brasil Central, ocorre uma queda acentuada na disponibilidade de forragem no período de seca invernal, que se caracteriza por uma produção extremamente baixa, de aproximadamente 10% do total anual, em decorrência da falta de umidade, baixa temperatura, e dias curtos (fotoperíodo), fazendo com que a planta entre em repouso vegetatitvo (Gráfico 2).

Gráfico 2 – Distribuição de chuvas e taxa de acúmulo de forragem, ao longo do ano

Além da menor oferta de alimento no pasto, na época da seca, o animal dispõe de uma forragem com menor teor de proteína e menor digestiblidade, com o avanço da estação seca (Tabela 3). Como conseqüência desse fato, os animais consomem menos matéria seca do que em épocas mais favoráveis, e o que ingerem é de qualidade insatisfatória, resultando invariavelmente em perda de peso e, às vezes, até em morte, devido ao déficit energético, protéico, mineral e vitamínico.

Tabela 3 – Médias dos conteúdos de proteína bruta (PB) e das digestibilidades in vitro da matéria orgânica (DIVMO) de amostras simulando o pastejo animal, durante o período de suplementação.

* Pastagens vedadas: 40% da área em fevereiro e 60% da área em março.
Fonte: Euclides, 2001b.

Como mostrado na Tabela 4, para cinco espécies forrageiras, os consumos das pastagens são maiores nas épocas das águas, e o bovino gasta menos tempo no pastejo. Já na época da seca os consumos são menores e o tempo de pastejo aumenta, acarretando maior tempo para consumir as quantidades satisfatórias de pasto, e maior gasto energético pelo animal.

Tabela 4 – Médias dos consumos voluntários de matéria seca (CVMS) e dos tempos de pastejo (TP) de novilhos pastejando cinco gramíneas, durante os períodos seco e das águas.

* CVMS = kg MS / 100 kg PV
** TP = minutos/dia
Fonte: Euclides et al., 1996.

O suplemento deve ser considerado como um complemento da dieta, e supre os nutrientes deficientes na forragem disponível. Na maioria das situações, a forragem não contém todos os nutrientes essenciais, na quantidade adequada para atender as exigências dos animais em pastejo.
A diminuição no consumo de forragem por animais em pastejo é semelhante a que ocorre com aqueles confinados. Em resposta à suplementação energética, há uma progressiva diminuição no tempo de pastejo e tamanho do bocado. Quando a forragem é abundante e a energia é fornecida, existe aumento total de alimentos, porém, menos que proporcional à quantidade de suplemento ingerido.

Coeficientes de substituição (depressão no consumo de forragem / ingestão de suplemento) para ingredientes energéticos podem variar de 0,25 a 1,67.

                       QFISSPL – QFICSPL
Efeito substituição = ———————————-  x 100
QSF

QFISSPL = quantidade forragem ingerida sem suplemento
QFICSPL = quantidade forragem ingeria com suplemento
QSF = quantidade suplemento fornecido
Hodgson (1990)

O uso de suplementos energéticos até 0,5% do peso vivo não altera o nível de ingestão e digestibilidade da matéria seca ingerida. Entretanto, o tipo de amido afeta este efeito substitutivo, e, de fato, a suplementação com grão de milho acima de 0,25% do peso vivo (p.v.) afetou adversamente a utilização de forragem. Já o efeito do trigo somente ocorreu em níveis acima de 0,34% do p.v.

Gráfico 3 – Médias de consumo de matéria seca total (CMST), matéria seca de forragem (CMSF), digestibilidade aparente da fibra detergente neutro (DFDN) da dieta total, em função dos diferentes tratamentos.

SAL – Sal mineral
MS1 – Milho e farelo de soja 1 kg/cab/dia –   MS2-  Milho e farelo de soja – 2 kg/cab/dia
TS1  – Farelo  trigo e de soja 1 kg/cab/dia – TS2- Farelo trigo e de soja – 2 kg/cab/dia.
Pastagens de Brachiaria decumbens –  Animais – Limousin x Nelore – 396 kg peso vivo
Fonte: Detmann et al., 2001.

Como é mostrado no gráfico 3, o consumo de matéria seca da forragem diminui com a inclusão da suplementação com grãos e farelos, afetando também a digestibilidade aparente da fibra em detergente neutro.

A suplementação a pasto tem por objetivos:

  1. Corrigir a deficiência dos nutrientes da forragem.

  2. Aumentar a capacidade de suporte das pastagens.

  3. Fornecer aditivos ou promotores de crescimento.

  4. Auxiliar no manejo de pastagens.

A necessidade de suplementar os animais e as quantidades são dependentes das metas a serem conseguidas de acordo com o planejamento proposto na propriedade. A suplementação depende da qualidade da pastagem, sua massa disponível e tamanho da área de pastagem. Além disto, de recurso financeiro disponível, dos animais (sexo, idade, raça, estágio fisiológico), da infra-estrutura adequada de cochos e bebedouros,  mão-de-obra, entre outros fatores.

2. Suplementação na seca

Durante o período da seca, ocorrem reduções das concentrações de energia, proteína, Fósforo, outros minerais e vitaminas. Durante décadas, foi aceita a hipótese de que o principal nutriente limitante, na época da seca, seria o fósforo. Apesar de que, na década de 40, já existiam evidências da ocorrência de deficiência de proteína no período seco do ano, com as  vacas apresentando baixo desenvolvimento corporal e baixíssimos índices de fertilidade. Somente com os trabalhos conduzidos no Reino Unido e na África do Sul, a partir de 1960, criaram-se condições para que fosse aceita a possibilidade de que o limitante nutricional primário, para animais mantidos exclusivamente a pasto, seria o déficit protéico. De grande importância prática foi a demonstração de que a deficiência protéica poderia ser corrigida, tanto com o fornecimento de nitrogênio não protéico, quanto proteína verdadeira (Carvalho et al., 2003).

O fósforo não é o principal nutriente limitante, mas sim a proteína, como era pensado nas décadas passadas. Daí, o nitrogênio não protéico (principalmente a uréia) e os suplementos protéicos melhorarem grandemente o consumo de pasto e induzirem os animais à ingestão de gramíneas pouco apetecidas.

Em uma compilação de trabalhos de pesquisas sobre o uso de NNP (nitrogênio não protéico), realizada por Loosli & McDonald, em 1969, mostra que a deficiência protéica em bovinos a pasto é conhecida desde a década de 40. Entretanto,  em pleno século 21, encontramos situações de campo que mostram o atraso tecnológico de certas regiões, que permanecem e contribuem para a diminuição dos índices zootécnicos brasileiros. Esses trabalhos de pesquisas mostravam que a administração de uréia (4%),  melaço (12%) e nitrato de sódio (4%), junto a fenos de baixa qualidade, aumentavam a ingestão e diminuíam a perda de peso.

Pesquisas realizadas por Van Nierkerk e Jacobs (1985), na África do Sul, em condições tropicais, avaliaram o efeito de suplementos de proteína, energia e fósforo, isolados e em combinações em dietas de bovinos, usando, como fonte volumosa de baixa proteína, a cana-de-açúcar, simulando a época da seca. A suplementação protéica, em todos os tratamentos, aumentou a ingestão 34,5%, em relação ao grupo controle, e induziu menor perda de peso, em relação aos outros tratamentos. A resposta para a proteína é aumentada quando usada em conjunto com fósforo e energia, mostrando que a deficiência protéica é a mais importante causa de perda de peso em bovinos, mantidos em pastagens de baixa qualidade.

A suplementação protéica com NNP ou proteína verdadeira aumenta a eficiência de utilização de forragens de baixo valor nutritivo. Com forragens pobres em PB e resíduos de cultura (< 7,0% de PB), a principal resposta à suplementação protéica tem sido devido ao atendimento da exigência microbiana ruminal por N, e fornecimento de aminoácidos específicos e/ou energia contida nesse suplemento.

2.1. As misturas múltiplas

Segundo Viana (1977), como no período seco há deficiências de proteína, Fósforo e outros minerais, sem excluir a ocorrência direta ou indireta de déficit energético, seria lógico o emprego do “suplemento múltiplo”, em vez de apenas mistura mineral. Mencionou, como uma das maneiras de suplementação, a “Mistura Farelada de NNP”, composta de 10 a 25% de uréia, 25 a 35% de fubá, 25% de fosfato bicálcico, 20 a 30% de sal e 5 a 15% de melaço. O método permitiria controlar a ingestão de mistura, variando a concentração de sal comum.

As misturas múltiplas têm o objetivo de estimular o consumo de forragem de baixa qualidade e melhorar a sua digestibilidade, e não o de suplementação direta (efeito substitutivo). É importante considerar que o conteúdo de N fermentável, abaixo do ótimo na dieta, pode decrescer a digestibilidade da fibra e também resultar em baixa relação entre aminoácidos/energia nos nutrientes absorvidos. Ademais, aumentando a disponibilidade de N fermentável, eleva-se a digestibilidade e a relação nos produtos absorvidos, devido ao aumento na eficiência da fermentação no rúmen, e ambos os efeitos elevam o consumo de forragem.

Em pesquisa realizada no Brasil, a mistura múltipla permitiu aumentar entre 19 e 29% o consumo de matéria orgânica digestível (CMOD) de feno (7,58% de PB), em comparação com o suplemento mineral.

O consumo varia de acordo com a disponibilidade de matéria seca da pastagem, onde, quanto menor a disponibilidade de massa na pastagem, maior o consumo da mistura, e, quanto maior o ganho preconizado, maior a necessidade de acrescentar farelos na mistura, e consequentemente maior o consumo. Além disto, o uso crescente de sal comum e uréia funcionam como reguladores de consumo das misturas. O consumo pode variar, dependendo da formulação e dos fatores mencionados acima, de 0,05 a 0,5% do peso vivo, pois a partir daí pode-se considerar a suplementação como uma ração concentrada – semiconfinamento -, devido ao alto teor de farelos, e não como uma mistura múltipla.

O consumo das misturas múltiplas também está relacionado com a espécie forrageira, sexo dos animais e grupo genético, como mostra a tabela 5.

Tabela 5 – Médias de mínimos quadrados para consumo médio diário de suplementos (kg/dia), de acordo com os fatores gramínea pastejada, sexo e grupo genético.

Fator

Classe

Consumo

Gramínea pastejada

andropogon / jaraguá

1,990a

brachiaria  sp.

1,571b

panicum sp.

1,188c

Sexo

Macho

1,748a

Fêmea

1,418b

Grupo genético

Mestiço

1,736a

Zebuíno

1,430b

Médias na coluna, dentro de fatores, seguidas por letras diferentes, são diferentes (P<0,05).
Fonte:  Paulino et al., 2002.

A estratégia de suplementação deve ser dependente do objetivo que se deseja alcançar. Sua escolha deverá ser, também, fundamentada em uma análise econômica. Para a manutenção de peso, durante o período seco, normalmente é indicado o uso de suplemento mineral com uréia e enxofre. Para atender a demanda de N dos microrganismos ruminais, é necessário que um animal adulto consuma cerca 30 g de uréia por dia.

As variações das formulações das misturas múltiplas estão ligadas ao consumo diário e a época do ano, e normalmente, são compostas de:

  1. 5% a 15% de uréia.

  2. 15% a 30% de farelo protéico.

  3. 20% a 40% de grãos ou farelo energético.

  4. 7% a 30% de sal branco.

  5. 5% a 15% de suplemento mineral.

Os teores de proteína e de energia dependem do desempenho desejado e do valor nutritivo da forragem disponível. A porcentagem do controlador da ingestão deve ser proporcional à idade dos animais. Bezerros são mais sensíveis ao sal do que os adultos. Para manter o mesmo consumo da mistura por quilo de peso vivo, a porcentagem do sal comum será menor para bezerros, do que para novilhos e adultos.

2.2. Os trabalhos de pesquisas com as misturas múltiplas, na época da seca

Diversos são os trabalhos de pesquisas mostrando a utilização de misturas múltiplas na suplementação de bovinos de corte no Brasil, com consumo variando de 630 a 2.620 gramas/cabeça/dia. Estas misturas possuíam valores de proteína bruta variando de 45 a 30% e  resultaram em ganhos médios diários de 132 a 429 gramas/cabeça, durante a época da seca.

Nestes trabalhos, foram utilizados bovinos predominantemente zebuínos com peso entre 250 e 270 kg de PV em pastagens de branquearias (B. decumbens, B. brizantha e B. ruzizinenses) com boa disponibilidade de forragem a qual variou de 1,8 ton de MS/ha até 17,0 ton de MS/ha, sendo, na maioria dos trabalhos, com 5,0 ton de MS/ha (Carvalho et al., 2003).

A quantidade de matéria seca disponível na pastagem é primordial para o sucesso na suplementação com misturas múltiplas. Tem sido sugerida a disponibilidade de pelo menos 2.500 kg de matéria seca total/hectare, no início da estação seca, para obter ganhos de peso satisfatórios.

Este fato pode ser observado no trabalho de Bergamashine et al. (1998) que ao utilizarem misturas múltiplas durante a época da seca na suplementação de bovinos, com menor taxa de lotação (0,5 UA/ha), o ganho de peso foi mais elevado (0,655 kg/cab/dia), quando comparado à maior taxa de lotação (1,2 UA/ha) com ganho de 0,503 kg/cab/dia.

Como mostra a tabela 6, durante a época da seca, o efeito da fonte protéica (soja grão ou caroço de algodão) e da fonte energética (farelo de arroz ou farelo de trigo) não foi significativo para os ganhos de pesos, variando de 500 a 600 g/cabeça/dia com um consumo de 2 kg de suplemento.

Tabela 6 – Consumo de suplemento (CS), ganhos médios diários (GMD) em função dos diferentes tratamentos.

FT – farelo de trigo,  FA – farelo de arroz.  Suplemento com 20% PB.
a – efeitos referentes à fonte protéica e energética e sua interação não significativos ( P>0,10).
Animais Holandês x Zebu. Pastagens de Brachiaria brizantha – 14 ton MS/ha.
Fonte: Moraes et al., 2002.

3. Suplementação na época das águas

As flutuações no valor nutritivo das pastagens também ocorrem na época das chuvas, e são capazes de influenciar a produção animal.  A suplementação passa a ter níveis nutricionais diferentes, principalmente com menor teor de uréia, devido à mudança sazonal das forrageiras na época das águas em relação à época da seca, com maiores teores de energia, proteína, minerais, vitaminas e digestibilidade. Entretanto, à medida que a estação das chuvas vai avançando, principalmente no seu terço final, o teor de proteína bruta das pastagens vai decrescendo, justificando, assim, a inclusão da uréia em pequenas proporções neste tipo de mistura (Lopes et al., 1998; Tomich et al., 2002).

O consumo de energia e proteína do bovino deve ser balanceado, para otimizar a fermentação e maximizar a produção de proteína microbiana. Consumo excessivo de proteína, sem quantidade adequada de energia, resulta em perda de Nitrogênio na urina. Perdas de proteína podem ocorrer com gramíneas e leguminosas, quando a quantidade de proteína excede a 210 gramas de PB/ kg de matéria orgânica digestível. Gramíneas tropicais com degradabilidade entre 55 e 65% dificilmente ultrapassarão este limite crítico, com exceção de pastagens adubadas com Nitrogênio (Poppi e McLennan, 1995).

Nas pastagens bem manejadas, durante a época das águas, nas suas capacidades de suporte, as gramíneas tropicais são capazes de promover ganhos de peso entre 600 e 800 g/dia. Por outro lado, ganhos acima de 1.000 g/cabeça/dia podem ser obtidos quando as pastagens são utilizadas com baixa pressão de pastejo, onde o bovino seleciona uma dieta de melhor valor nutritivo (Euclides, 2001).

Mesmo no início do período das águas, as pastagens de B.  decumbens e B. brizantha, sob pastejo contínuo, apresentam conteúdos de PB inferiores ao necessário para produção máxima que, segundo Ulyatt (1973), é de 12% para todos os propósitos em um rebanho de bovino de corte.

Durante esse período, também são encontradas deficiências de macro e micronutrientes nas forrageiras. Assim, a utilização de uma mistura mineral múltipla irá corrigir essas deficiências.
Animais freqüentemente respondem à proteína extra, durante a estação de águas, um período em que a qualidade da pastagem, em termos de digestibilidade e conteúdo de proteína, é alta, ensejando ganhos adicionais diários de 200-300 g/animal (Paulino et al., 2002).

3.1. Os trabalhos de pesquisas com as misturas múltiplas na época das águas

Os trabalhos de pesquisas mostram ganhos de pesos médios diários de bovinos, na fase de recria, variando de 0,543 a 1,380 kg /cabeça/dia, com suplementos com teores de proteína bruta variando de 50 a 18% e consumo de 0,2 a 0,5% do peso vivo. Foram utilizados, na maioria dos trabalhos, animais zebuínos com peso vivo entre 180 e 270 kg em pastagens de braquiárias (B. Brizantha e B. decumbens) com disponibilidades de 2,6 a 14,0 ton de MS/ ha (Carvalho et al., 2003).

Em trabalhos realizados com animais em engorda, mostraram ganhos médios diários de 0,6 a 1,24 kg /cabeça/dia recebendo suplementos com níveis de proteína bruta de 48 a 14,5% e consumo de 0,06 a 1,2 % do peso vivo. Foram utilizados animais nelores, não castrados, com peso vivo entre 335 a 370 kg de peso vivo em pastagens de braquiárias, panicuns, capim gordura e andropogon com taxas de lotação variando de 1,0 a 6,0 UA/ha (Carvalho et al., 2003).

3.2. Suplementação de bezerros

Após o primeiro mês de lactação a quantidade ingerida de leite pelos bezerros não supri a quantidade de nutrientes necessarios para o seu crescimento ideal, sendo assim esta deficiencia devera ser atendida pela suplementacao de racao concentrada e pastagens de boa qualidade (Robison et al., 1978, citado por Silva, 2000). Considerando que o leite possui 0,75 Mcal/kg, para suprir o requisito do bezerro no primeiro e segundo meses de vida seriam necessários em torno de 4,4 e 6,8 kg de leite por dia, respectivamente. Para vacas zebus seria difícil suprir totalmente com o leite o requisito de energia digestível necessário do segundo mês de vida em diante (Silva, 2000). Uma das estrategias adotas para suprir esta deficiencia é o creep-feending.

O creep-feeding e a utilização de um cocho privativo, ao qual só o bezerro tem acesso. Estando o bezerro ainda mamando recebe um reforço alimentar com uma ração concentrada balanceada. Os fatores que afetam as respostas do uso do creep-feendig são a quantidade e qualidade do pasto, a produção de leite das mães, o potencial genetico de crescimento, idade e sexo dos bezerros a desmama, tempo de administração, o consumo e tipo de suplemento. O aumento pode variar de 8 a 42 kg por bezerro, como mostram os trabalhos da Tabela 7. O uso do creep-feeding dependerá do custo da suplementação e do sistema de produção.

Tabela 7 – Efeito do creep-feeding no desempenho de bezerros

Peso à desmama (kg)

Fonte

Raça

Consumo kg/dia

Suplemento

Creep

Sem

Pacola et al. (1977)

Guzerá

1,157

14% PB, 80% NDT

171,6

144,8

Cunha et al. (1983)

Sta. Gertrudis

1,3

17% PB, 82% NDT

180

139,5

Pacola et al. (1989)

Nelore

0,328

15% PB, 80% NDT

193,8

180,8

Nogueira  (2001)

Nelore

0,61

20% PB, 75% NDT

163,80

155,1

Sampaio et al. (2001)

Canchim

0,595

16% PB

216

207,9

Siqueira at al. (2001)

Nelore-Limousin, Nelore-BelgianBlue

0,718

16%PB

174

148,9

Benedetti et al. (2002)

Simental x Nelore, Angus Nelore

1,4

19% PB, 75% NDT

256,73

224,40

Fonte: Adaptado de Carvalho et al., (2003)

3.3. Suplementação de matrizes

As novilhas podem chegar à concepção aos 14 meses de idade, com uso de mistura múltipla (40% PB), com um consumo de 500 g/cabeça/dia, durante a estação seca, reduzindo sua idade ao primeiro parto, e aumentando a produtividade (bezerros nascidos/ano) do sistema. (Tabela 8).

Tabela 8 – Influência da mistura múltipla, na época da seca,  no ganho de peso e desempenho reprodutivo de novilhas de corte

½ Limousin ½ Tabapuã

½ Santa Gertrudis ¼ Limousin ¼ Tabapuã

Ganho médio diário – 9 aos 14 meses de idade (kg/cabeça)

0,559

0,526

Peso aos 14 meses idade (kg)

321

331

% Animais Inseminados

91,43

98,33

% Animais cheios

80

86,66

% Animais cheios na 1a. IA

75

69,23

Índice de serviço – doses

1,44

1,7

Fonte : Adaptado de Graça e Duarte (1998).

As pesquisas relatam que, mesmo durante a época das águas, a suplementação de novilhas com mistura múltipla propicia ganhos adicionais, que variam de 0,07 a  0,2 kg/cab/dia. Isto significa que a novilha atingirá seu peso, à puberdade, mais cedo.

A categoria de novilha gestante, na época da seca, deverá receber uma mistura múltipla com consumo variando de 0,05 a 0,1%, para que possa parir em condições adequadas para amamentar o bezerro e retornar ao cio, rapidamente (Carvalho et al., 2003).

Leite et al. (1994) citado por  Paulino et al. (2001) trabalharam com matrizes em estação de monta de agosto a outubro aumentando a taxde de prenhez em cerca de 15 pontos percentuais quando suplementaram com uma mistura múltipla com consumo médio de 533 g/cab/dia. Os grupos sem suplementação tiveram índices de 53,33 e 55,55% enquanto o grupo suplementado foi de 68,42%.

3.4. O manejo da suplementação

O tamanho do cocho é importante, pois todos os animais devem ter acesso à mistura múltipla para obter uma uniformidade no lote, sendo no mínimo de 15 cm linear por cabeça. À medida que aumenta o consumo da mistura, aumenta-se também a metragem. No  fornecimento de ração concentrada, sugere-se de 40 a 50 cm/animal, e para a mistura mineral múltipla, de 15 a 25 cm/animal. A linha de cochos deve ser interrompida em um metro, a cada quatro metros, para permitir a circulação dos animais. Nas regiões sujeitas a chuvas, durante o período de suplementação, os cochos devem ser cobertos e furados nas laterais. O número de animais por lote deve ser compatível com a capacidade de distribuição do concentrado e da pastagem (40 a 50 cabeças).

Os pastos devem apresentar topografia plana, com boa distribuição de água, para evitar o aumento da energia para mantença, e ser de fácil acesso para facilitar a distribuição do suplemento.
Para suplementação de até 2 kg de concentrado, o fornecimento pode ser feito em uma única vez (após o pastejo da manhã, por volta de 10 horas). Quantidades maiores devem ser parceladas em duas vezes (10 horas e às 15 horas). É importante manter horários de fornecimentos fixos, devido ao hábito de rotina dos bovinos (Euclides, 2000).

AVALIAÇÕES ECONÔMICAS DA SUPLEMENTAÇÃO

A suplementação com misturas múltiplas implica em maior capital investido, no início do trabalho. Para que esta técnica seja difundida, é necessário que seja economicamente viável, isto é, apresente uma relação benefício x custo positiva. O ganho em peso do animal tem que pagar o investimento com a suplementação. Além disto, deve ser levado em consideração que o animal suplementado sairá mais rápido da propriedade, reduzindo o custo de permanência e “abrindo” espaço para a entrada de nova categoria, com aumento de giro de capital.

As pesquisas mostram que os resultados econômicos são favoráveis ao uso da suplementação, tanto na época da seca quanto na época das águas. Entretanto, este cenário pode mudar, de acordo com a disponibilidade e qualidade de forragem, categoria animal e mercado, isto é, preço de insumos, compra e venda de animais, além do preço da arroba no abate.

Loosli e McDonald (1969) relatam, na compilação de trabalhos, que o fornecimento de 1,0 a 1,5 kg por dia de suplemento protéico rico em farelo de soja, de algodão e linhaça, junto com minerais e vitaminas, suplementa eficazmente bovinos desmamados em pastagens de baixa qualidade, permitindo ganhos diários de 0,5 kg a mais, com custos econômicos. E ainda, se 30 a 60% da proteína vegetal for substituída por equivalente em uréia nas misturas, reduz o custo e obtêm-se praticamente os mesmos ganhos em peso.

Euclides (2001) suplementou novilhos em pastagens de B. decumbens e B. brizantha, com uma mistura múltipla na base de 0,2% do peso vivo. Os novilhos suplementados apresentaram ganhos médios diários de 0,740 kg e os não suplementados de 0,535 kg. O custo da suplementação foi de R$ 26,00/ novilho, e a diferença de cerca de 200 gramas/cab/dia em 184 dias significou 36,8 kg de peso vivo a mais em comparação ao grupo não suplementado (52% de rendimento de carcaça). Esta diferença de cerca de 40 kg significou R$ 56,00 (@ = R$ 44,00), ou ainda, que este animal poderá ser abatido no período seco subseqüente sem ter que permanecer mais uma estação na propriedade.

Lopes et al (2002)  mostraram um ganho de peso médio de 193 g/cabeça/dia e um consumo médio da mistura múltipla de 237 g/cabeça/dia para bovinos de 226 kg de peso vivo, durante  a época da seca, e à medida que aumentaram o teor de uréia na mistura múltipla de 10 para 16% conseguiram manter um bom ganho de peso, mas com uma margem bruta e a relação benefício / custo mais favorável.

Cavagutti et al. (2002) suplementando bezerras em pastagens de Brachiaria decumbens, encontraram maior margem bruta para suplementos múltiplos de 45% de PB em comparação ao suplemento mineral e suplemento mineral com 30% de uréia. Resultados semelhantes encontraram Thiago et al. (2002) suplementando bezerros Pardo Suíço x Nelore em pastagens de Brachiaria brizantha. A suplementação teve efeito linear no ganho de peso, onde foram avaliados 0, 0,5, 1,0 e 2,0 kg/cabeça/dia de suplemento. Os ganhos e as margens brutas foram respectivamente: 0,543, 0,695, 0,758, 0,925 kg/cabeça/dia; 0, 12,85, 12,26, 21,79 R$/cabeça/período.

Os ganhos em peso adicionais convertidos em R$ (reais) da suplementação, em relação ao tratamento sem a suplementação, variam de R$ 3,44 a 44,39/animal/ período, durante a época da seca, e de R$ 2,31 a 56,00/animal/período, durante a época das águas. As variações ocorrem devido às diferenças de raças de animais, tempo de suplementação, pastagens, quantidade e valor nutricional do suplemento, valor da arroba (Carvalho et al, 2003).

Barbosa (2004a) avaliou a suplementação protéica-energética de novilhos em pastagens de Brachiaria brizantha cv. Marandu, na fase de transição água-seca e encontrou melhor resultado econômico (lucro operacional e residuo para administração) da suplementação protéica-energética, consumo medios diarios de 0,17 e 0,37% do peso vivo, quando comparado a suplementação mineral e pasto.

IMPACTOS DA INTEGRAÇÃO LAVOURA-PECUÁRIA NA PRODUÇÃO DE BOVINOS

A integração lavoura-pecuária apresenta como uma das vantagens o aumento da capacidade de suporte das pastagens e consequentemente uma maior produtividade animal quando comparado aos sistemas de pastagens degradadas (Tabela 9).

Tabela 9 – Capacidade de suporte e desempenho de bovinos recriados, em pastagens renovadas com  diferentes estratégias e submetidas a uma pressão de pastejo de 7% em Brasilândia – MS.

Estratégia de renovação

Peso dos animais

Taxa de Lotação (UA5/ha)

Produtividade

(@/ha/ ano)

Inicial (kg)

Final (kg)

Chuvas

Seca

Milho1

181

374

3,04

0,83

22,3

Arroz2

176

371

2,79

0,83

19,8

Renovação Direta3

177

388

2,55

0,80

19,9

Pastagem velha

176

374

1,51

0,77

11,9

Pastegem velha (MF)4

176

278

1,20

0,60

3,4

1- Calagem e adubação : 3,0 ton /ha de calcário, 454 kg /ha da fórmula 04-30-16, 39 kg de FTE BR 12/ha, 32 kg de sulfato de Zinco/ha e 250 kg de sulfato de Amônia em cobertura.
2- Calagem e adubação: 2,0 ton de calcário, 300 kg da fórmula 04-30-16, 30 kg de FTE BR 12/ha 20 kg de Sulfato de Zinco,  100 kg de Sulfato de Amônia e 50 kg de Cloreto de Potássio em cobertura.
3- Calagem e adubação: 1,4 ton de calcário /ha, 165 kg/ha de superfosfato simples.
4- MF = Manejo da fazenda em pastegem degradada.
5- UA/ha = 450 kg de peso vivo
Fonte: Barcellos et al. (1997).

Outro aspecto importante relacionado a integração é que devido à utilização da cultura de arroz consorciada com as braquiárias, além de aumentar a produtividade (variação de 7,45 a 10,50 @/ha/ano) os ganhos na época da seca estão acima da média esperada em situações de pastagens degradadas sem suplementação protéica-mineral. Fato comum observado nas três diferentes espécies é que já no terceiro ano os ganhos de peso  vem caindo, mostrando a justificativa de uma adubação de reposição de minerais no solo.

Tabela 10 –  Relação de ganho de peso vivo (GPV) no período seco e das águas e a produtividade em um sistema de integração lavoura-pecuária.

Sistema

GPV diário

GPV Total/ha/ano

Ano

Seca

Águas

Kg

@

M1

Decumbens

I

0,276

0,725

2.199

10,50

II

0,314

0,682

2.054

9,81

III

0,263

0,544

1.560

7,45

M2

Brizantha

I

0,267

0,715

2.162

10,33

II

0,321

0,685

2.072

9,90

III

0,266

0,563

1.608

7,68

M3

brizantha + stilosantes

I

0,280

0,650

2.190

10,46

II

0,250

0,596

1.760

8,42

III

0,172

0,595

1.717

8,2

M1= consorciação arroz + B. decumbens
M2= consorciação arroz + B. Brizantha
M3= consorciação arroz + B. brizantha + Stylozanthes.
Fonte: Adaptado de Cézer e Yokoyama, 2003.

O sistema Santa Fé foi implantado no período de 2001/2002 e, após a colheita do milho, a pastagem de B. brizantha (consorciada) foi vedada por 70 dias e no mês de junho foi pastejada. Os resultados mostraram uma boa lotação em ambos períodos (águas e secas) com elevados ganhos de pesos, o que pode proporcionar o abate destes animais com idades inferiores a 30 meses. Cabe salientar que o ganho na época da seca foi elevado, acima de 1 kg/dia, pela quantidade ingerida da suplementação ( 0,5% do peso vivo médio diário) (Tabela 11).

Tabela 11 – Desempenho de animais durante o período da seca e das águas em pastagens formadas pelo Sistema Santa Fé no ano 2001/02.

Período

Águas*

Secas**

P inicial (kg)

243

349,9

P final (kg)

381

473,2

GMD (kg)

0,730

1,03

Lotação (UA/ha)

3,0- 4,3

2,1- 3,0

*Suplementação com mineral
** Suplementação de 2,0 kg/ animal/dia (84% gérmen de milho , 12% de farelo de girassol, 2,2% uréia,
1,8% de calcário + suplemento mineral).
Fonte: Adaptado de Magnabosco et al., 2003.

Uma outra opção para aumento da produtividade é o uso do pastejo direto com o sorgo o que proporciona ao animal um alimento de bom valor nutricional (proteína e digestibilidade) e consequentemente elevado ganho de peso no período das águas. Entretanto este sistema deverá ser avaliado de acordo com a necessidade do planejamento forrageiro e nutricional, pois, normalmente, terá um custo por ganho mais elevado do que uma pastagem perene.

Tabela 12 – Avaliação do desempenho de bovinos de corte, alimentados em pasto, com sorgo de corte e pastejo, cultivar AG 2501-C.

Item

Período de Avaliação

01 a 31-01

01 a 28-02

01 a 26-03

27-03 a 23-04

Média

Proteína Bruta

12,5

11,1

8,3

8,0

10

Digestibilidade “in vitro” da MS

68,8

55,9

54,9

50,7

57,5

Ganho médio diário (kg/ animal/dia)

1,295

1,330

1,112

0,375

1,121

Capacidade Suporte (UA/ha)*

3,18

3,54

3,74

3,38

3,46

Ganho de peso /ha (kg PV período)

190,2

199,4

158,9

21,8

570,3

* 400 kg de peso vivo
Fonte: Aita (1995).

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O planejamento nutricional aliado ao financeiro é uma ferramenta imprescindível para verificar a viabilidade operacional e econômica das estratégias assumidas dentro do sistema e fornecer com maior precisão as informações necessárias para a tomada de decisão.

Os suplementos múltiplos são uma das ferramentas para conseguir otimizar e maximizar a produtividade em escala na propriedade rural. Propiciando ganhos elevados desde a recria ao abate, fazendo com que estes animais possam ser abatidos com idades inferiores a 30 meses a pasto (ganho médio diário acima de 0,720 kg).

Uma condição necessária para produzir estes animais a pasto e a custo mais baixo é a otimização do sistema de produção, por meio de técnicas como:

  1. um correto manejo da pastagem aliado à integração com lavoura no sistema para proporcionar alimentos de alto valor nutritivo para os animais e altas cargas de suporte;

  2. uma suplementação balanceada com proteína, energia e minerais para suprir as deficiências encontradas nas nossas pastagens tropicais;

Os resultados alcançados refletirão em um abate mais cedo dos animais com aumento de produtividade (kg de carne/hectare/ano), bem como um aumento do capital de giro e diminuição do tempo de permanência do animal nas pastagens.  Além de precocidade da idade da fêmea ao primeiro parto, contribuindo para maior número de bezerros nascidos/hectare/ano.

A análise econômica é primordial para a tomada de decisão da estratégia da suplementação do rebanho, levando em consideração o custo da suplementação, o ganho em arrobas, o custo de permanência diária do animal na propriedade e o retorno do capital investido.

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Fabiano Alvim Barbosa1
Décio Souza Graça2
Guilherme Moreira de Souza3

1 – Médico Veterinário, M.Sc. Nutrição Animal, Doutorando Produção Animal, Escola de Veterinária – UFMG, Bolsista CNPq – fabianoalvim@unb.br.
2 – Médico Veterinário, PhD – Professor Adjunto – Escola de Veterinária – UFMG.
3 – Médico Veterinário, mestrando em Zootecnia – Escola de Veterinária – UFMG.

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