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CONFINAMENTO: PLANEJAMENTO E ANÁLISE ECONÔMICA

by Gushiken on 6 de julho de 2011

Fabiano Alvim Barbosa
Médico Veterinário
Mestre Nutrição Animal
Doutorando Produção Animal
Escola de Veterinária – UFMG
fabianoalvim@unb.br

I – INTRODUÇÃO

O sistema de produção de bovinos em confinamento é uma estratégia adotada na estação seca para evitar a perda de peso dos animais, fornecendo ração concentrada e volumoso no cocho.  No confinamento o custo é mais elevado devido à demanda por instalações, máquinas, mão de obra específica entre outros, mas em compensação o animal ganha mais peso que no sistema a pasto, desde que a dieta esteja bem balanceada e todo o operacional funcionando.

O uso da terminação de bovinos em confinamento já foi usada como estratégia para aproveitamento das características sazonais do mercado, que permitiam altas rentabilidades devido às diferenças de preço do boi gordo entre a safra e a entressafra que chegavam a mais de 40% nas décadas anteriores, sendo que atualmente não passa de 20%. Atualmente, o confinamento deve ser encarado como uma alternativa estratégica para aumentar a escala de produção da propriedade (arrobas/hectare/ano), retirada da categoria de engorda das pastagens na seca para entrar a recria e produzir novilhos precoces.

INFRA-ESTRUTURA

O investimento inicial para o confinamento é elevado ficando em R$ 364,25/ boi instalado (Figura 1). As instalações e equipamentos possuem vida útil que varia de 10 a 20 anos, e ainda, a capacidade estática do confinamento é para 2.000 bois, portanto podem ser feitos no mínimo dois ciclos diluindo os custos fixos deste empreendimento. Para isto ocorrer a fazenda deve ter quantidade de animais para engorda suficiente, volumosos e recurso financeiro para todos os insumos.

Figura 1 – Relação de investimentos para confinamento de 2.000 bois.


Fonte: Burgi, 2006.

PLANEJAMENTO

O levantamento dos gastos com o confinamento deve ser bem planejado devido ao elevado volume de recurso financeiro necessário. A maior parte do custo operacional total está relacionada à compra dos bois e depois à dieta (Gráfico 1). Os valores de máquinas e instalações são referentes às depreciações, portanto não são desembolsados no fluxo de caixa da fazenda. Caso a fazenda tenha os bois, na mesma situação, a dieta terá o maior percentual (61%), depreciações (13%), mão de obra (7%), combustível (5%), vacina e outros (2%).

Gráfico 1 – Percentual do custo operacional total de dois confinamentos em 2005.

Sendo assim, o preço de compra dos animais e dos alimentos, além do preço de venda, são de fundamental importância para a viabilidade econômica do confinamento. Em regiões onde o preço de compra do boi (na entrada) é superior a 20% da arroba de boi gordo; os preços de grãos e subprodutos são elevados devido à distância da fábrica até na fazenda; e os preços de boi gordo não são elevados, é totalmente descartada a possibilidade de realizar este confinamento, pois será inviável economicamente na maioria dos anos.Fonte: Barbosa et al., 2006.

Para realizar a atividade de confinamento é fundamental que na fazenda tenha áreas destinadas para culturas de silagens e/ou cana-de-açúcar. O tamanho da área pode ser fundamental para a escolha de qual volumoso plantar. Por exemplo:

  • Confinamento de 4.000 bois
  • Produção estimada de cana-de-açúcar = 120 toneladas por hectare
  • Produção estimada de silagem de milho = 45 toneladas por hectare
  • Consumo médio de cana = 18 kg/cabeça/dia
  • Consumo médio de silagem = 20 kg/cabeça/dia
  • Dias de confinamento = 70
  • Necessidade de volumoso:
  1. Cana = 18 kg x 70 dias x 4.000 bois = 5.040 toneladas
  2. Silagem = 20 kg x 70 dias x 4.000 bois = 5.600 toneladas
  • Necessidade de área:
  1. Cana = 5.040 / 120 = 42 hectares
  2. Silagem = 5.600 / 45 = 124 hectares

Portanto, a escolha do volumoso pode ser dependente da área disponível na fazenda para a cultura, considerando que existem condições edafoclimáticas para o plantio de cada cultura.

RAÇÃO CONCENTRADA

O uso de elevada quantidade de volumoso nas rações de confinamento no Brasil é decorrente do seu baixo custo de produção, devido a elevada produtividade e necessidades de áreas relativamente pequenas. Normalmente, as rações contêm entre 50 e 80% de volumosos na matéria seca. Os volumosos mais comuns são: silagens de capins tropicais (Panicuns sp., Brachiaria brizantha, etc.) silagem ou capineira de capim elefante, silagem de milho, sorgo, cana de açúcar, bagaço hidrolisado, etc. Nestas dietas os ganhos não passam de 1,2-1,3 kg/cabeça/dia. Atualmente, o uso de dietas com teores mais elevados de grãos (acima de 60% da dieta) tem proporcionado ganhos mais elevados com o custo por arroba produzida menor (Tabela 1). Estas situações ocorrem onde os preços de grãos e subprodutos são mais baratos. Assim, o uso de resíduos e subprodutos da agricultura e indústria é uma alternativa de grande potencial, uma vez que consistem no aproveitamento de materiais hoje desperdiçados, que podem ser transformados em produtos animais. Os principais requisitos para sua utilização são:

  1. disponibilidade destes materiais na área de realização de engorda;
  2. segurança e confiabilidade quanto a presença de resíduos tóxicos;
  3. análise laboratorial do carregamento que chega na fazenda – alta variação na qualidade;
  4. existência de  tecnologia específica;
  5. preços dos alimentos colocados na fazenda.

Tabela 1. Diferenças técnicas e econômicas em um confinamento com cana-de-açúcar de acordo com a base de cálculo da dieta.

Base de cálculo Lucro Máximo Custo Mínimo
Peso vivo inicial – kg 415 415
Peso vivo final – kg 509 509
Ganho médio diário – kg 1,540 1,300
Matéria seca ingerida – kg 9,5 9,5
Matéria seca ingerida – % do peso vivo 2,2 2,2
NDT da dieta 74,7 70,0
PB da dieta 12,3 11,9
Custo da dieta por dia – R$/cabeça 2,50 2,21
Dias de confinamento 61 72
Custo por arroba produzida – R$ 48,45 50,55
Relação Volumoso : Concentrado 39:61 55:45

Como observado na tabela acima (Tabela 1) apesar do gasto diário mais elevado com a dieta de lucro máximo o custo da arroba produzida é menor devido ao maior ganho de peso. Além disso, reduz os dias no confinamento proporcionando maior número de animais por área com a entrada de novas cabeças e diluição das depreciações. A quantidade de concentrado a ser oferecido é em função da raça, do custo da alimentação e arroba produzida e do preço de venda da arroba. Animais de cruzamento industrial respondem com maiores ganhos de peso nas dietas com altos teores de concentrado, onde esse concentrado pode chegar a 2% do peso vivo ou 80-85% na dieta, já os animais zebuínos com ingestões menores de concentrados, em torno de 1,5% do peso vivo ou 60% na dieta.

VOLUMOSO

A qualidade do volumoso e da dieta vai influenciar o ganho de peso dos animais no confinamento. Como observado nas tabelas 2 e 3, quanto melhor o valor nutricional do volumoso maior o ganho de peso dos bovinos. A variedade da espécie forrageira também influenciará o ganho de peso dos animais, onde a silagem de duplo propósito (AG 2006) apresentou maior ganho de peso que a de sorgo forrageiro (AG 2002),  e ainda, com o aumento do concentrado na dieta o ganho também foi maior nas duas variedades, mas o impacto deste ganho foi diferente entre elas (Tabela 3).
Tabela 2. Diferenças na qualidade de volumoso e ganho de peso dos animais.

Autores Melhor qualidade Pior qualidade
Silva e Restle (1993)  novilhos Charolês SSG = 1,13 kg/dia SSF = 0,99 kg/dia
Restle et al. (1996)  bezerros Charolês SM = 0,73 kg/dia SSF = 0,53 kg/dia
Restle et al. (1997)  novilhos Charolês x Nelore SSG = 1,21 kg/dia SSF = 1,08 kg/dia
Felisberto et al. (1995) bezerros Charolês x Nelore SA = 0,47 kg/dia SAAZ = 0,46 kg/dia
Brondani e Restle (1991) novilhos Charolês SM = 1,46 kg/dia CA = 1,12 kg/dia
Restle et al. (1994) novilhos Hereford SM = 1,35 kg/dia CA = 1,13 kg/dia
Pillar et al. (1994) bezerros Blond D’Aquitaine SM = 0,89 kg/dia SN = 0,82 kg/dia

SSG = silagem sorgo granífero, SSF = silagem sorgo forrageiro, SM = silagem de milho, SA = silagem de aveia, SAAZ = silagem de aveia + azevém, CA = cana-de-açúcar, SN = silagem de elefante Napier.

Fonte: Adaptado de Vaz et al., 1999.

Tabela 3. Diferenças no ganho de peso dos animais com diferentes níveis de concentrado associados a duas variedades de silagens de sorgo.

Variedades de silagem de sorgo Nível de concentrado (% matéria seca) Média
25 35 45 (silagem)
AG 2002 – kg/cabeça/dia 1,00 1,04 1,39 1,14
AG 2006 – kg/cabeça/dia 1,16 1,19 1,25 1,20
Média (concentrado) 1,08 1,12 1,32

Fonte: Silva (1999) citado por Vaz et al., 2000.

ESCOLHA DAS CATEGORIAS E DOS ANIMAIS A SUPLEMENTAR

As categorias dos animais a serem suplementadas dependerão das metas a serem alcançadas, (peso ao abate, peso para entrar no confinamento, peso à primeira cobertura, peso ao primeiro parto, etc.), da disponibilidade de matéria seca disponível e do recurso financeiro.

Como a exigência de energia para a mantença é em função do peso vivo, quanto maior o animal, maior será sua necessidade de ingestão para satisfazer sua mantença para depois atender as exigências de crescimento e ganho de peso. Portanto, os animais de estrutura corporal corporal (frame size), que considera a altura e o comprimento do corpo, intermediário são os mais eficientes. Dentro de uma mesma raça e mesma idade, animais portadores de maior estrutura corporal ganharam peso mais rapidamente e alcançaram peso mais altos que os demais, na época do abate. Quando comparado entre as raças (Angus, Hereford e Charolês), os maiores exigem períodos de alimentação mais longos que os menores para atingir o mesmo ponto de abate, porém com pesos finais sempre mais elevados. Os extremos não são eficientes, pois o animal de porte pequeno terá pouca quantidade de carne para o frigorífico, e, o animal de porte grande, demora a depositar gordura na carcaça (mais tardio). As duas situações são entraves na comercialização dos animais com penalização no preço da arroba vendida.

Os zebuínos possuem exigência de energia de mantença 10% menor do que os taurinos. Os machos inteiros apresentam exigência de energia de mantença 15% acima dos machos castrados e das fêmeas. Sendo assim, a velocidade de ganho e de acabamento será influenciada por estes aspectos. Os animais inteiros, pela ação dos hormônios androgênicos, têm maior ganho de peso em relação aos castrados, normalmente de 20 a 40 kg de peso vivo a mais, entretanto, necessitam de uma maior quantidade de suplemento concentrado para que tenha acúmulo mínimo de gordura na carcaça quanto terminado a pasto.

Os animais que estão em uma situação de escore corporal acima de 6 (escala de 1 a 9) ou 3 (escala de 1 a 5) (tabela 4) apresentam baixa eficiência alimentar, pois, já estão em processo fisiológico de acúmulo de gordura, sendo assim o custo de acrescentar 1kg de peso passa a ficar demorado e muito caro.

Tabela 4. Sistema de escore visual para a avaliação da condição corporal de bovinos.

Escala de 1 a 9 Escala de 1 a 5 Condição Corporal Observações
1 a 3 1 Muito magro Falta de musculatura. Espinhas dorsais agudas ao tato. Ílios, ísquios, inserção da cauda e costelas proeminentes.
4 2 Magro Costelas, ancas e ísquios ainda visíveis. Processo transverso das vértebras lombares não pode ser visto individualmente. Garupa ligeiramente côncava.
5 2,5 Moderado Paleta, coxão e garupa com cobertura muscular média. Últimas costelas visíveis, boa musculação sem acúmulo de gordura.
6 3 Boa Espinhas dorsais não podem ser vistas, mas podem ser sentidas. As pontas da anca não são mais visíveis. Boa musculatura e alguma gordura na inserção da cauda. Aparência lisa.
7 4 Gordo Animal suavemente coberto de musculatura, mas os depósitos de gordura não são acentuados. As espinhas dorsais podem ser sentidas com pressão firme, mas são mais arredondadas que agudas. Cupim bem cheio e acúmulo de gordura na inserção da cauda.
8 a 9 5 Muito gordo Acúmulo de gordura, visível principalmente na inserção da cauda, úbere, peito e linha do dorso. Espinhas dorsais, costelas, pontas de anca e ísquios cobertos de musculatura não podem ser sentidos, mesmo com pressão firme.

A categoria animal , as raças, bem como o o ganho de peso anterior deste animais influemciam os desempenhos no confinamento. Os animais que estão com baixo ganho de peso ou até mesmo perdendo peso antes de entrarem no confinamento apresentam ganno compensatório elevado podendo chegar  entre 1,8 a 2,0 kg/cab/dia. Isto acontece, principalmente, com animais muito magros mas com boa carcaça (comprimento, largura e altura), normalmente, até 60 dias de confinamento.  Após este período estes ganhos médios diminuem, e a partir daí os custos da arroba produzida tornar-se-ão mais elevados.

Os animais mais novos e mais leves apresentam melhor conversão alimentar (kg de alimento/ kg de ganho) do que os animais mais velhos, sendo assim, o custo por ganho é menor, entretanto, necessitam de mais tempo no confinamento para a sua terminação. Isso é um dos fatores da diminuição do novilho super-precoce no Brasil, pois o desembolso financeiro é alto devido ao maior número de dias de confinamento (150 a 170), e ainda, dependendo da região (em função da estação de monta e índice pluviométrico)  não consegue atingir o peso mínimo (acima de 17 arrobas) exigido pelo frigorífico de exportação para o animal inteiro.

Os machos inteiros apresentam maior eficiência de ganho de peso que os castrados, pois necessitam de cerca de 13-18% (dependendo da raça) a menos de energia líquida para ganho. Portanto apresentam menor conversão, isto é, necessitam de comer menos para ganhar 1 kg de peso vivo. Em um resumo de vários trabalhos dos pesquisadores do Rio Grande do Sul mostram que os animais inteiros consomem mais alimentos (+5 a 8%), ganham mais peso (+12 a 25%),  tem menores conversões alimentares (-7 a 17%) e maior peso final (+ 14 a 47 kg).

As fêmeas apresentam menor eficiência de ganho de peso que os castrados, pois necessitam de cerca de 17-18% (dependendo da raça) a mais de energia líquida para ganho. Portanto, estas categorias podem trazer prejuízos dentro do confinamento se ficarem muito tempo, acima de 60-70 dias. Além do custo do ganho ser mais elevado que dos machos o preço da arroba da fêmea é mais baixo, com algumas exceções para novilhas precoces.

Tabela 5. Desempenho de bezerros (BZ), novilhos de sobreano (N 1,5), novilhos de 2,5 anos e vacas descarte (VD) em confinamento por 84 dias com cana-de-açúcar e concentrado.

BZ N 1,5 N 2,5 VD
Peso vivo inicial – kg 154 236 336 382
Peso vivo final – kg 231 316 428 467
Ganho médio diário – kg 0,917 0,952 1,095 1,012
Matéria seca ingerida – kg 4,3 5,8 7,9 8,5
Matéria seca ingerida – % do peso vivo 2,23 2,10 2,06 2,00
NDT da dieta 55,8 57,1 57,6 57,6
PB da dieta 14,8 11,9 10,9 10,9
Conversão alimentar 4,69 6,09 7,21 8,40
Custo da dieta por dia – R$/cabeça 0,56 0,67 0,89 0,95
Custo por kg  de ganho – R$ 0,61 0,68 0,81 0,94
Kg de concentrado/ cabeça /dia 1,43 1,94 2,66 2,84

Fonte: Towsend et al. (1988) citado por Restle et al. (2000).

Segundo Burgi (2006) os 3 principais grupos de bovinos utilizados no Brasil podem ser divididos da seguinte maneira:

Zebuínos (Nelore, Guzerá, Brahman, Tabapuã, etc.) – São produzidos no Brasil e outros países da América.  Apresentam massa muscular com pouco marmoreio, porém são bovinos de fácil terminação, do ponto de vista de deposição de gordura extra-muscular e subcutânea. No confinamento, geralmente atingem o peso de abate, já com uma condição adequada de cobertura de gordura na carcaça.

Britânicas (Angus, Hereford, Devon, etc.) – São produzidos pelos Estados Unidos, Argentina, Uruguai, Austrália, Inglaterra, entre outros países. Apresentam elevada deposição de gordura na carcaça, com forte marmoreio e muita precocidade de acabamento. No confinamento, quando atingem o peso de abate, geralmente já alcançaram uma condição de terminação (teor de gordura na carcaça) acima da exigida pelos frigoríficos.

Continentais (Limousin, Charolês, Blonde, Marchigiana, Piemontês, Chianina, etc.) – São produzidos na Itália, França, Espanha entre outros países. Possuem elevada musculosidade, com pouca deposição de gordura na carcaça. Apresentam cortes sem marmoreio e dificuldade de deposição de gordura extra-muscular e subcutânea. São mais tardios quanto ao acabamento necessitando mais tempo no confinamento para conseguir a cobertura mínima exigida de gordura.

Outras raças podem se encaixar nestes 3 tipos principais como as continentais de dupla aptidão (Simental e Pardo-Suíço), apresentam um pouco de marmoreio e um pouco mais de facilidade de terminação que as raças de corte francesas e italianas. As raças sintéticas formadas a partir de zebuínos e taurinos continentais (por exemplo, o Canchim e o Simbrasil) tem uma condição de terminação intermediária entre estes 2 grupos raciais. As sintéticas com sangue britânico (por exemplo, o Brangus e o Senepol) apresentam melhor precocidade de terminação e um maior grau de marmoreio.

AVALIAÇÕES ECONÔMICAS

O uso das suplementações vem aumentando a cada ano, no Brasil, sendo responsável por 15% do total de abate brasileiro (Gráfico 2). Este aumento da intensificação da produção é responsável pelos melhores resultados de produtividade alcançados no Brasil.

Gráfico 2 – Número de bovinos terminados em suplementação intensiva – mil de cabeça.

Fonte: Anualpec, 2006.

O confinamento é uma atividade que envolve um risco mais elevado devido ao volume de desembolso financeiro, e sua rentabilidade ser totalmente dependete do preço de venda dos bovinos. Em um estudo de dois confinamentos em Minas Gerais, no ano de 2005, mostraram que as fazendas apresentram lucro operacional (LO) e apesar de não serem valores altos, indicam que o confinamento foi uma atividade que conseguiu viabilizar-se e pagar todos os custos operacionais.

No entanto, observou-se que apesar de ter apresentado LO positivo, o confinamento no sistema  2 não conseguiu pagar o custo do capital (COC) investido na atividade (Tabela 6). Este fato ocorreu principalmente devido a pouca valorização da arroba na entressafra, que deveria ser de R$ 51,61 (valor de venda) para pagar COC, ficando o resíduo para remunerar o proprietário igual a zero.

É importante ressaltar que, nesse estudo, não foram considerados, para o sistema de produção, outros benefícios  decorrentes da adoção de confinamento tais como: a antecipação das receitas e os custos de permanência destes animais por mais tempo na fazenda. Estes resultados indicam que o confinamento, por si só, não pode ser considerado uma das melhores opções de investimento do mercado, no entanto, quando se considera o confinamento como estratégia para o sistema como um todo é que se entende a sua função estratégica. Os preços de venda e de compra, isto é, a variação do preço da arroba exerce grande influência nos resultados econômicos.

Tabela 6 – Análise econômica e de custos de dois confinamentos.

Sistema 1 Sistema 2
Custos operacionais Variáveis – COV R$ TOTAL % COT R$ TOTAL % COT
Dieta 181.510,08 21,4% 87.152,19 17,5%
Combustível 15.672,83 1,9% 4.279,65 0,9%
Mão de obra 20.466,62 2,4% 12.240,00 2,5%
Vacinas e Outros 4.220,00 0,5% 2.972,50 0,6%
Compra de Bois 584.579,52 69,1% 375.480,00 75,4%
Subtotal 806.449,05 95,3% 482.124,34 96,9%
Custos Operacionais Fixos – COF
Máquinas / Equipamentos 32.135,00 3,8% 9.815,00 2,0%
Instalações 7.986,34 0,9% 5.796,00 1,2%
Subtotal 40.121,34 4,7% 15.611,00 3,1%
Custos Operacionais Totais – COT 846.570,39 100,0% 497.735,34 100,0%
Receitas Totais – RT R$ TOTAL R$ TOTAL
Vendas de bois 911.044,22 502.221,49
R$ por arroba (venda) 57,00 51,35
Custo da arroba produzida (R$) 87,55 85,11
Margem Bruta (MB) = RT – COV 104.595,18 20.097,14
Lucro Operacional (LO) = MB – COF 64.473,84 4.486,14
Custo de Oportunidade (COC) (8,75% aa) 11.760,72 7.030,98
Resíduo (LO – COC) 52.713,12 -2.544,84

Fonte: Barbosa et al., 2006

Figura 2 – Custo de produção de um confinamento em 2005.

Fonte: Burgi, 2006.

O custo da arroba produzida varia em função do ganho de peso do animal, o preço dos insumos, infra-estrutura e região onde é realizado o confinamento. Como demonstrado na figura 2, o custo da arroba produzida foi de R$ 47,00, ficando mais baixa que nas fazendas acima (Tabela 35). Portanto, o planejamento bem feito assegura a tomada de decisão de fazer o investimento.

BIBLIOGRAFIAS CONSULTADAS

ANUALPEC. Anuário da Pecuária Brasileira. São Paulo: Instituto FNP, 2006.

BARBOSA, F.A., GUIMARÃES, P.H.S., LIMA, J.B.M.P. Planejamento e estratégias nutricionais como ferramentas para aumento na rentabilidade da pecuária de corte. In:  ENCONTRO DE MÉDICOS VETERINÁRIOS E ZOOTECNISTAS DOS VALES DO MUCURI, JEQUITINHONHA E RIO DOCE, 26, 2005,Teófilo Otoni, Anais … Teófilo Otoni: SRMVM, 2005, p.28-43.

BARBOSA, F.A., GUIMARÃES, P.H.S., GRAÇA, D.S., ANDRADE, V.J. CEZAR, I.M., SOUZA, R.C., LIMA, J.B.M.P. Análise da viabilidade econômica da terminação de bovinos de corte em confinamento: uma comparação de dois sistemas. In:  REUNIÃO ANUAL DA SOC. BRASILEIRA DE ZOOTECNIA, 43, João Pessoa. Anais … João Pessoa: SBZ, 2006, CD-ROM.

BURGI, R. Confinamento: conceitos atualizados. In: CONGRESSO LATINO-AMERICANO DE NUTRIÇÃO ANIMAL, 2, São Paulo. Anais … São Paulo: CBNA-AMENA, 2006. CD-ROM.

FEIJÓ, G.L.D., SILVA, J.M., THIAGO, L.R.S. et al. Efeito bioeconômico de níveis de concentrdao no confinamento de novilhos. Campo Grande: Embrapa Gado de Corte, 1998. 30p.

NATIONAL RESEARCH COUNCIL. Nutrient Requeriments of Beef Cattle.  Washington, D.C. National Academy of Sciences, 7 ed., 242 p., 1996.

RESTLE, J., VAZ, F.N., ALVES FILHO, D.C. Machos não castrados para produção de carne. In: RESTLE, J. Confinamento, pastagens e suplementação para produção de bovinos de corte. Santa Maria:  UFSM, 1999, p. 215-231.

RESTLE, J., ALVES FILHO, D.C., NEUMANN, M. Eficiência na terminação de bovinos de corte. In: RESTLE, J. Eficiência na produção de bovinos de corte. Santa Maria:  UFSM, 2000, p. 277-303.

VAZ, F.N., VAZ, R.Z., BERNARDES, R.A.C. Viabilidade econômica do confinamento no Rio Grande do Sul. In: RESTLE, J. Confinamento, pastagens e suplementação para produção de bovinos de corte. Santa Maria:  UFSM, 1999, p. 147-177.

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