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COMO FAZER UMA BOA ENSILAGEM

by Gushiken on 5 de setembro de 2011

BATE PAPO COM:

Dr. Artur Tavares,  médico veterinário, gerente da Katec / Lallemand

“A ensilagem, respeitando os princípios básicos para bem prepará-la, é uma das técnicas mais difundidas para “guardar e preservar” o volumoso.”

 

– Mediante a forte seca de 2010 e a previsão de um frio mais intenso no outono e inverno de 2011, qual ou quais medidas o produtor deve tomar para não deixar faltar alimento aos seus animais? A Ensilagem é uma alternativa?

Tavares: O excesso de forragem tropical produzido durante a primavera/verão (época com temperaturas e umidade altas – plantas crescem muito), deve ser cortado e “guardado” para a falta que virá no outono/inverno (épocas secas e temperaturas baixas – pastos secam ). Existem algumas técnicas para preservar estes “excessos” de produção, numa época do ano, para serem usadas quando falta pasto, dos quais destaco a fenação e a ensilagem.

A ensilagem, respeitando os princípios básicos para bem prepará-la, é uma das técnicas mais difundidas para “guardar e preservar” o volumoso.

– No Silo mantêm-se os teores nutricionais das culturas ensiladas?

Tavares: Sempre haverá perdas. Logo após o corte iniciam-se as perdas. Um corte feito pela manhã e administrado aos animais à tarde, pode ter perdas consideráveis. Elas serão tanto maiores quanto mais tempo decorrer, no pós-corte. No entanto, num silo bem feito, com uso de inoculante específico, as perdas são mínimas.

– Quais os cuidados para se fazer uma boa silagem?

Tavares: Os cuidados são basicamente o:

1. Planejamento do tipo de cultura

2. Ponto ideal de colheita e corte

3. Corte. As facas devem estar e manter-se bem afiadas, para que as partículas sejam cortadas e não esgarçadas.

4. Dimensionamento do silo: deve estar relacionado com o tamanho do rebanho, de modo que a fatia cortada diariamente seja superior a 15 cm.

5. Rapidez na confecção do silo, diminuindo perdas.

6. Tamanho da partícula: o ideal é que 80% da silagem fique entre 1 e 2 cm.

7. Compactação bem feita: tornar o meio o mais anaeróbico possível, com um trator pesado passando por camadas finas, expulsando o ar residual entre as partículas.

8. Fechamento perfeito do silo: de modo a manter o meio anaeróbico e não permitir a entrada de ar e água. Em cima da lona, o peso ideal é de 100Kg/m2.

9. Pós abertura: a silagem a ser administrada deve ser cortada em fatias no sentido de alto a baixo, evitando a formação de degraus e escadas (aumentam a superfície exposta ao ar).

– Quais tipos de Silo são mais utilizados? 

Tavares:
a) Silos cilíndricos ou poço: (que podem ser “cavados” no solo ou aéreos). Estes silos foram muito usados, são os mais antigos e ainda se vêem muitos principalmente nos estados de SP, MG e RS. Uma das qualidades é a ótima compactação que se consegue, com conseqüentes perdas menores. O grande defeito é o difícil manejo para retirada do material ensilado. Está em desuso, atualmente!

b) Silos trincheira: mais caros que os silos de superfície, mas permitem uma compactação superior.

c) Silos de superfície: mais econômicos, mas de difícil compactação, principalmente nas laterais e, consequentemente, com mais perdas.

d) Silos “Salsichão”: feitos com uma lona fechada de formato cilíndrica, aliam as características do silo de superfície, com uma compactação muito superior. Neste caso a máquina desenvolvida pela Matsuda já possui o aspersor acoplado.

– Como o produtor determina o tamanho correto deste Silo?

Tavares: Ao planejar a construção de um silo, algumas variáveis devem ser levadas em consideração:

– Nº. de animais que vão ser alimentados pelo silo e o consumo diário.

– A quantidade de silo consumida por dia deve ser retirada com um corte reto (como se fosse uma fatia de “pão de forma”, no sentido de cima para baixo), com uma espessura superior a 20 cm.

– É preferível fazer 5 silos de 1.000 Toneladas do que 1 de 5.000 toneladas (o tempo para fazer e fechar um silo menor, implica que as perdas sejam menores).

– Como regra geral: é preferível fazer 1 silo comprido e estreito, de modo que a fatia retirada diariamente seja muito superior a 20 cm, que fazer um silo largo e curto, cuja retirada diária seja inferior a 15 cm.

– Qual a função dos aditivos e como adicioná-los?

Tavares: Em condições anaeróbicas, o aditivo específico torna o processo fermentativo mais rápido, o pH diminui rapidamente dentro do silo, dando condições que as bactérias benéficas possam competir e tomar espaço das bactérias patogênicas ou maléficas. Se a fermentação é mais rápida, como consequência, as perdas são menores.

Os aditivos mais atuais possuem bactérias produtoras de ácidos que atuam como antifúngicos (combatem leveduras e fungos) no pós abertura.

A adição do inoculante, para quantidades menores ensiladas pode ser feita por aspersores manuais e para grandes silos, usam-se aspersores automáticos acoplados às cortadeiras, permitindo uma boa produtividade.

Importante: a água para diluir o aditivo deve ser potável, não clorada e a calda deve ser “guardada” à sombra e consumida no mesmo dia que foi feita.

– Existe algum indicativo que aponta ao produtor que já está no momento de abrir o Silo?

Tavares: Havendo necessidade (por exemplo, queimou o pasto e os animais ficaram sem ter o que comer), o silo pode ser aberto em qualquer momento, mesmo que não tenha terminado o processo fermentativo. Não fará mal aos animais!

O tempo para abertura do silo depende da matéria prima que foi usada para confeccioná-lo e se foram respeitados todos os princípios básicos para fazer um bom silo (item 3). O controle da temperatura e pH são importantes para essa determinação.

O silo de milho pode ser aberto entre 7 a 10 dias.

O silo de cana é mais demorado, pois o abaixamento do pH é mais lento e a ação do Lactobacillus buchneri mais tardia. O ideal seria abri-lo com cerca de 30 dias, pós-fechamento.

O silo de capins, na faixa de 10 a 15 dias.

Estes “tempos” devem servir como referências, e não ser tomados como absolutos, pois muitas variáveis estão em jogo.

Fonte: www.matsuda.com.br

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