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BRS PIATÃ – Brachiaria brizantha cv. Piatã

by Gushiken on 21 de junho de 2011

piatã 1

PIATÃ

Fertilidade do solo: Média a Alta

Forma de crescimento: Touceira

Altura: 1,20 a 1,60 m

Utilização: Pastoreio direto e Fenação

Digestibilidade: Excelente

Palatabilidade: Excelente

Resistência a seca: Média

Resistência ao frio: Média

Teor de proteína: de 10% a 12%

Profundidade de plantio: 1 a 2 cm

Ciclo vegetariano: Perene

Cigarrinha: Tolerante

Pontos de VC/Ha: 350 a 420

Origem: África Equatorial

HISTÓRICO E DESCRIÇÃO MORFOLÓGICA

O cv. Piatã é uma Brachiaria brizantha selecionada após 16 anos de avaliações pela Embrapa, a partir de material coletado na década de 1.980, na região de Welega, na Etiópia, África. É uma planta de crescimento ereto e cespitosa (forma touceiras) de porte médio e com altura entre 0,85 m e 1,10 m. Apresenta colmos verdes e finos (4 mm de diâmetro). As bainhas foliares têm poucos pelos, e a lâmina foliar é glabra (sem pelos) medindo até 45 cm de comprimento e 1,8 cm de largura. A lâmina é áspera na face superior e tem bordas serrilhadas e cortantes. Apresenta ainda perfilhamento aéreo. Sua inflorescência se diferencia das atuais cultivares disponíveis de B. brizantha por apresentar maior número de racemos (até 12), quase horizontais, com pelos longos e claros nas bordas e espiguetas sem pelos e arroxeadas no ápice. Suas sementes são menores que as da B. brizantha cv. Xaraés (MG-5).

PRODUTIVIDADE DE FORRAGEM

O cv. Piatã pode ser cultivado na Amazônia Legal (norte de Mato Grosso, Tocantins, Rondônia, Acre e sul do Pará), e em regiões com estação seca de até 5 meses dos estados das regiões Centro-Oeste e Sudeste, além das áreas de Mata Atlântica e de cerrado da Bahia. Possui boa produção de forragem, e em parcelas sob corte, em solos de média fertilidade e sem adubação de reposição em Mato Grosso do Sul produziu em média 9,5 t/ha de matéria seca com 57% de folhas, sendo 30% dessa produção obtida no período seco. Comparada com o cv. Marandú destacou-se pela elevada taxa de crescimento e disponibilidade de folhas sob pastejo. O teor médio de proteína bruta nas folhas foi de 11,3% e a média anual de digestibilidade in vitro da matéria orgânica de 58%. O cv. Piatã apresenta rebrota mais rápida do que o cv. Marandú. Em Campo Grande, em solos de fertilidade média, as taxas de acúmulo de massa seca de folhas nos períodos de água e seca, foram respectivamente, de 53,6 e 8,3 kg/ha/dia para o cv. Piatã, superiores aos 47,8 e 6,70 kg/ha/dia, do cv. Marandú. Em ensaio sob condições semi controladas, em casa-de-vegetação, o cv. Piatã apresentou tolerância intermediária ao alagamento do solo, tendo desempenho semelhante ao cv. Xaraés (MG-5), porém superior ao cv. Marandu.

RESISTÊNCIA A PRAGAS

Em ensaios sob condições controladas em casa de vegetação, o cv. Piatã apresentou resistência às cigarrinhas típicas de pastagens, Notozulia entreriana e Deois flavopicta por determinar menor sobrevivência ninfal. O mesmo não foi constatado, no entanto, quanto à cigarrinha-de-cana, Mahanarva fimbriolata. Tal fato limita sua utilização extensiva em áreas com histórico de problemas com cigarrinhas do gênero Mahanarva. Em observações quanto aos níveis populacionais em condições de campo, constatou-se, neste capim, baixa infestação e danos moderados ao ataque do adulto.

O cv. piatã mostrou-se moderadamente resistente à ferrugem causada por Puccinia levis var. panicisanguinalis. Apresentou suscetibilidade a uma doença fúngica (carvão) nas sementes, causada por Ustilago operta. A ocorrência está estreitamente relacionada às condições climáticas favoráveis ao desenvolvimento do fungo (alta pluviosidade e umidade relativa do ar elevada durante o florescimento). Quanto a outras doenças, ainda não foram registradas limitações, tanto na parte aérea quanto em raízes. O cv. Piatã mostrou-se, também, tolerante a fungos foliares e de raiz, possuindo maior tolerância a solos úmidos que a cv. Marandú.

FLORESCIMENTO E PRODUÇÃO DE SEMENTES

Em Campo Grande/MS e em regiões semelhantes, o cv. Piatã apresenta florescimento precoce e concentrado nos meses de janeiro-fevereiro, à semelhança da B. decumbens cv. Basilisk. O cv. Piatã apresenta cerca de 206 sementes/grama, portanto, sementes menores do que as do cv. Xaraés (MG-5). Este número será 20% a 30% menor em lotes colhidos pelo método da varredura. As sementes do cv. Piatã são menores do que as do cv. Xaraés (MG-5).

EXIGÊNCIA EM CALAGEM E ADUBAÇÃO

O cv. Piatã é indicado para solos de média fertilidade, à semelhança dos capins cv. Marandú e cv. Xaraés (MG-5) e situando-se em uma posição intermediária entre a B. decumbens cv. Basilisk e cultivares de Panicum maximum quanto a esse aspecto. A quantidade de corretivos e de fertilizantes deve sempre se basear na análise química do solo. O cv. Piatã possui taxa de crescimento mais elevada que a do cv. Marandú em solo com saturação por bases entre 35% e 60%. Recomenda-se a aplicação de calcário suficiente para elevar a saturação por bases do solo ao mínimo de 40%. Adapta-se bem em solos arenosos de média fertilidade. Quando comparada a outras cultivares de B. brizantha cv. Marandú e cv. Xaraés (MG-5), o cv. Piatã responde mais à adubação fosfatada. Para as fases de recria e engorda de bovinos recomenda-se aplicações de 75 kg/ha/ano de nitrogênio. Recomenda-se ainda que, na fórmula de adubação, ou em aplicação isolada, sejam incluídos 30 kg/ha de enxofre. Com relação aos micronutrientes, recomenda-se a aplicação de 40 a 50 kg/ha de uma fórmula de FTE que contenha zinco, cobre e molibdênio, para um período residual de 3 a 4 anos.

PLANTIO

O plantio convencional deverá ser realizado em época de chuvas bem distribuídas, como meados de novembro até fevereiro nos cerrados de Mato Grosso do Sul. O preparo do solo é o mesmo utilizado para a formação de outras pastagens de braquiária, utilizando-se taxa de semeadura de no mínimo 2,5 kg/ha de sementes puras viáveis (valor cultural de 100%), numa profundidade entre 2 e 5 cm. O plantio a lanço em superfície pode ser adotado com o uso de maiores taxas de semeadura. Tal compensação deve ocorrer também quando houver condições sub ótimas de preparo de solo, controle de invasoras e de épocas de plantio. A operação de incorporação das sementes com uma grade leve ou o uso de rolo compactador favorecem a emergência de plântulas.

MANEJO E PRODUÇÃO ANIMAL

Em avaliação realizada em Campo Grande, MS, num regime de pastejo alternado, com ampla oferta de forragem para os novilhos ao longo das estações (três anos), o ganho de peso diário dos animais na estação chuvosa foi semelhante entre os cv. Piatã e Marandú, que superaram ao do cv. Xaraés (MG-5). Na estação seca, o desempenho diário dos animais foi semelhante entre as cultivares. Por sua vez, o cv. Xaraés (MG-5) proporcionou ao longo das estações as maiores taxas de lotação (número de cabeças/área), o que resultou em maior produtividade anual (kg de peso vivo/ha/ano). A produtividade anual de carne não diferiu entre o cv. Piatã e o cv. Marandú. Todavia, como o cv. Piatã apresenta características agronômicas e adaptativas diferenciadas, esta cultivar é recomendada para a diversificação das pastagens em vários ambientes de cultivo, como alternativa à cv. Marandú.

Nos três anos de avaliação, o cv. Piatã destacou-se pela elevada taxa de crescimento foliar, disponibilidade de folhas sob pastejo e valor nutritivo. Apesar dos ganhos de peso diários semelhantes entre o cv. Marandú e o cv. Piatã, este último produziu, em média, 45 kg/ha/ano de peso vivo a mais do que o cv. Marandú.

As avaliações apontam o cv. Piatã como uma opção para a diversificação das pastagens, apresentando como vantagens sobre o cv. Marandú e/ou cv. Xaraés (MG-5):

– Produção de forragem de melhor qualidade;

– Maior acúmulo de folhas;

– Maior tolerância a solos com má drenagem que o cv. Marandú;

– Maior resistência à cigarrinha-das-pastagens (Deois e Notozulia) do que o cv. Xaraés (MG-5).

Quantidade a ser usada no plantio:

50% VC – 8 a 10 Kg/Ha

 

agrogushi@gmail.com

(67) 9.9950-3262  Vivo

 

FONTE: EMBRAPA GADO DE CORTE: http://www.cnpgc.embrapa.br/ e UNIPASTO: www.unipasto.com.br

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