CAPIM ELEFANTE CARAJÁS – Carajas Pennisetum purpureum x Pennisetum glaucum

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Nome científico: Pennisetum purpureumPennisetum glaucum
Nome da cultivar: Carajás
Exigência em fertilidade do solo: Alta
Forma de crescimento: Touceira ereta
Forma de utilização: Pasto para corte (verde moído ou silagem)
Altura da planta: Até 3,4 m
Teor de proteína: Até 15% na matéria seca
Digestibilidade: Até 65% (“in vitro”)
Produção de forragem: 45 t/ha/ano em 3 cortes a cada 100 dias
Estabelecimento: Por sementes sexuais
Ciclo vegetativo: Perene – ciclo de florescimento 4 meses

A foto é plantio recente.

INTRODUÇÃO

A pecuária continua sendo uma das principais atividades econômicas do Brasil e as pastagens ocupam uma das maiores áreas cultivadas no país, aproximando-se de 100 milhões de hectares. Mais de 70% dessas pastagens estabelecidas são de Brachiaria, principalmente pelas características de exploração, de clima e tipo de solo.
Muitos produtores ainda exploram a atividade pecuária de modo extrativista, em solos de baixa fertilidade e exauridos, geralmente arenosos, adotam o monocultivo de pastagem, e cada vez mais, localizadas em áreas marginais das propriedades, uma vez que as áreas mais nobres estão sendo ocupadas por outras culturas como a soja, milho, cana-de-açúcar, algodão, etc.
Por outro lado temos produtores que estão se especilaizando cada vez mais em sua atividade, seja na engorda de animais, na cria e até mesmo na produção de leite, investindo em pastagens, em genética e em técnicas de produção. Um dos problemas na pecuária tropical é a sazonalidade na produção de forragem, onde temos uma alta produção no período mais quente e chuvoso do ano e baixa produção no período mais seco e frio. Essa característica de produção de forragem de nossas pastagens tropicais, comprometem toda a produção animal, se a atividade não for bem administrada e planejada. Assim, uma das alternativas para dispôr de alimento neste período crítico do ano, é guardando a alta produção de forragem do período chuvoso, em forma de silagem e feno, para o período mais seco e frio.
Desse modo, na pecuária moderna e em propriedades tecnificadas, é importante manter uma área com pastagem de corte, servindo de fonte de forragem para ser cortada, picada e oferecida aos animais ou guardadas em forma de silagem ou fenos, para a época mais crítica do ano. As culturas mais utilizadas para essa finalidade são a cana-de-açúcar, as pastagens do gênero Panicum (Tanzânia-1, Mombaça, etc) e Pennisetum (capim elefante).

OBJETIVO

Com o intuito de atender o mercado de pastagens para corte, a Sementes Matsuda, tem nos últimos anos selecionado cultivares de capim elefante de alta produção de forragem, de boa qualidade nutricional e que pudesse ser estabelecido através de sementes.
O primeiro resultado desse trabalho foi o cultivar Paraíso-Matsuda, registrado pela empresa no RNC/MAPA em 1999, derivado de uma seleção feita na população originário do cruzamento inter-específico entre o Pennisetum purpureum (capim elefante) x Pennisetum glaucum (milheto).
O segundo cultivar selecionado para o mercado de pastagens de corte, pela Sementes Matsuda, é o CARAJÁS, que é estabelecido por sementes, apresenta boa produção de forragem e um bom valor nutritivo, características desejáveis para um pasto de corte.

OBTENÇÃO E CARACTERÍSTICAS DO CARAJÁS

O cultivar Carajás é originário de seleção recorrente, por três ciclos consecutivos, de diversos acessos obtidos do cruzamento inter-específico entre Pennisetum purpureum  x Pennisetum glaucum.
No ano agrícola 1999/2000 foi selecionado 200 indivíduos (plantas) dentro de uma população de 10.000 plantas do cultivar Paraíso-Matsuda, também resultante do cruzamento entre o P. purpureum e P. glaucum. A seleção foi embasada em plantas semelhantes a diversos caracteres morfo-agronômicos (altura de planta, número de perfilhos, comprimento e largura de folhas, diâmetro de colmo, relação folha/haste, comprimento de internódio, comprimento de haste da inflorescência, comprimento da inflorescência e ciclo de florescimento); em seguida a identificação de cada planta selecionada e coleta de sementes destas mesmas plantas em sacos especiais de colheita. Em seguida, foi realizada a análise das sementes coletadas, em laboratório para determinação de diversos parâmetros de qualidade (pureza física, número de sementes por grama, germinação, viabilidade em tetrazólio e teste de vigor). Após a obtenção destes dados, retorno às plantas identificadas no campo, seleção daquelas com os melhores resultados para as características de sementes acima citadas e realização de sua propagação vegetativa (através de frações de colmos com pelo menos duas gemas).
No ano agrícola 2000/2001 foi realizado a reconstituição da população através de mistura equitativa dos descendentes dos indivíduos selecionados na geração anterior. Foi feito o plantio da população reconstituída em campo isolado, com intercruzamento livre e em seguida a seleção de novos indivíduos. Desses, a colheita e análise de amostras de sementes, de maneira semelhante à realizada na geração anterior.
Em 2001/2002 uma nova reconstituição da população, com uso de metodologia semelhante ao processo anterior.
Os ensaios de avaliação do cultivar Carajás foram feitos em cinco locais diferentes, durante três anos consecutivos (anos agrícolas 2002/2003, 2003/2004 e 2004/2005), conforme as normas exigidas pelo VCU (Valor de Cultivo e Uso) do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – MAPA. Em todos os locais, Álvares Machado-SP,  Presidente Bernardes-SP, Jateí-MS, Mateiros-GO e São Desidério-BA, o cultivar Carajás foi comparado com o cultivar Paraíso-Matsuda. Nos ensaios realizados, o Carajás mostrou-se semelhante ao Paraíso-Matsuda, nas seguintes características:
- Altura de planta
- Número de perfilhos
- Diâmetro de colmo
- Teor de proteína bruta na folha
- Teor de proteína bruta no colmo
- Digestibilidade “in vitro” de folha e colmo
O Carajás foi superior ao Paraíso-Matsuda por ter maior produção de matéria seca (ton/ha) e maior produção de proteína bruta por área (kg/ha). Outra vantagem do Carajás foi apresentar plantas mais uniformes que o Paraíso-Matsuda, com touceiras mais homogêneas. A qualidade das sementes produzidas pelo Carajás também são superiores ao Paraíso-Matsuda, apresentando melhor germinação e maior vigor.
No ano 2005/2006 a estabilidade fenotípica foi confirmada com o plantio de campos estabelecidos com sementes colhidas no ano agrícola 2004/2005. A estabilidade permaneceu elevada, indicando que não houve alteração na base genética da população avalizando a estabilidade, a herdabilidade e a distinguibilidade do cultivar Carajás.
O Carajás é uma planta com hábito de crescimento ereto, formando touceiras densas, vigorosas e com bastante perfilhos. São plantas com 2,0 a 3,0 m de altura, possui colmos de diâmetro médio em torno de 3 a 4 cm, com pouca cerosidade sob a bainha, os internódios são curtos a médios e coloração verde. As folhas apresentam bainhas de coloração verde-amarela, com baixa pilosidade e as lâminas foliares são semi-eretas e de comprimento longo. As lâminas foliares possuem largura média entre 5 a 8 cm e florescem geralmente no final do período chuvoso. A produção de sementes do Carajás foi entre 150 a 250 kg/ha.

RESULTADOS OBTIDOS NO CAMPO

O cultivar Carajás após três anos de seleção apresentou uma população bastante homogênea e um comportamento esperado a campo, principalmente quando todos as exigências nutricionais são cumpridas com a correção e adubação do solo.
Foram realizados ensaios de produção de forragem nos cinco locais de avaliação, com três cortes durante o período chuvoso, ocorridos a cada 4 a 5 semanas e dois cortes no meio e no final do período seco. O corte foi feito entre 10 a 15 cm do solo.

Média de MS acumula em cada período, média de três anos de avaliação

A correção e adubação do solo foi realizado de acordo com os resultados da análise de solo, pois o Carajás, assim como qualquer cultivar de capim elefante, é bastante exigente e necessita desta fertilidade para manter a sua produção de forragem e qualidade niutricional.

De acordo com os resultados obtidos, o Carajás pode ser recomendado para o plantio em regiões tropicais, onde a preciptação mínima anual é de 800 mm e a temperatura média anual de 25 ºC. Também pode ser recomendado para regiões onde a temperatura mínima fique acima de 15 ºC.

Teor de proteína bruta na matéria seca, do cultivar Carajás, obtido em várias regiões em dois períodos distintos (chuva e seca)

RECOMENDAÇÕES DE USO

O cultivar Carajás foi avaliado também para aceitação pelos animais, tendo a avaliação positiva para todas as espécies de animais avaliadas, com bom destaque para bovinos de leite e de corte.
Por se tratar de um cultivar que necessita de solos de boa fertilidade ou devidamente corrigidos e adubados, recomendamos a coleta e análise do solo antes do plantio. Para as recomendações de calcário e fertilizante procure um Engenheiro Agrônomo.
Para o estabelecimento de um pasto de corte do cultivar Carajás, utiliza-se 2,4 kg/ha de sementes puras e viáveis, quantidade essa que pode variar de acordo com as condições de plantio (preparo de solo, controle de ervas daninhas, clima, correção e adubação do solo, etc). Recomendamos o plantio em linha, espaçadas de 1,0 a 1,2 m, de acordo com o equipamento de corte, a uma profundidade não mais que 1,5 cm. Essas sementes devem ser incorporadas após o plantio, melhorando as condições de germinação.
A degradação do pasto de corte e a manutenção da produtividade, podem ser evitadas e mantidas respectivamente, através de adubação nitrogenada e potássica após cada corte e também através de adubação de manutenção de acordo com os resultados da análise de solo.
O Carajás pode ser oferecido in natura e picado no cocho dos animais ou em forma de silagem. A confecção de silagem é uma ótima alternativa porque pode ser armazenado para as épocas mais críticas do ano. Para ensilar o Carajás, recomendamos picar a forragem em partículas pequenas de 2 a 3 cm, isso facilita e melhora a eficiência da compactação, que é um dos segredos para se obter uma boa fermentação e consequentemente uma silagem de boa qualidade.

USOS ALTERNATIVOS

Resultados de pesquisas recentes, em fase final de comprovação, revelam o excelente potencial do Carajás como matéria prima industrial e energética. Na área industrial pode ser utilizado para a produção de celulose-papel e congêneres. Com base na elevada produção de matéria seca (39 – 46 t/ha/ano), elevado teor de celulose na matéria seca (44,3%) e excelente qualidade de fibra (de tamanho médio a longo).
A outra alternativa é a geração de energia elétrica, através da combustão da matéria seca que aquece a água, gerando a produção de vapor sob alta pressão que aciona geradores elétricos. A utilização é baseada na elevada produção de matéria seca, de elevado poder calorífero durante a combustão (4.500 kcal/kg) e elevado teor de lignina (22,9%) que é um dos componentes altamente combustível.

Quantidade de sementes no plantio:

25% VC – 10 Kg/Ha

(19) 99871-6060 Vivo

agrogushi@gmail.com

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